escândalo de corrupção Gürtel que levou à condenação do Partido Popular fez o Parlamento aprovar uma moção de censura, fazendo cair Mariano Rajoy da presidência do Governo espanhol, elegendo Pedro Sánchez como o sétimo primeiro-ministro da história da democracia do país.

É caso para dizer que "à terceira foi de vez" e quando menos Sánchez esperava. Tentou em 2015, em 2016, mas acabou sempre por perder as eleições e ficar como líder da oposição. Dois anos depois, é uma moção de censura que o coloca no topo do governo.

Sánchez, de 46 anos, é um economista, mas desde sempre que a política lhe interessou. Em 1993, com 21 anos, filiou-se no PSOE e quatro anos depois foi para Bruxelas tirar um mestrado em Economia Política. Ficou a trabalhar como assessor da socialista Bárbara Dührkop e mais tarde foi chefe de gabinete do mais alto representante das Nações Unidas na Bósnia, Carlos Westendorp, durante a Guerra do Kosovo. Voltou a Espanha e entre 2004 e 2009 esteve como deputado na Câmara Municipal de Madrid.

Dali saltou para o Parlamento, onde substitui Pedro Sobles, que renunciou ao cargo. Esteve dois anos como deputado e chegou mesmo a ser eleito o "deputado revelação" pela imprensa.

Nas eleições de 2011 era o 11º deputado da lista do PSOE de Madrid, mas o partido apenas elegeu 10 na capital e, por isso, ficou fora do Parlamento. Fez um breve interregno político para depois voltar em 2013, ao Congresso de Deputados, após a renúncia de Cristina Narbona. Ocupou um lugar no Conselho de Segurança Nuclear.

E foi aí que começou o caminho da presidência.

Pedro Sánchez, o Diego Pablo Simeone político

Antigo praticante de basquetebol e adepto do Atlético de Madrid, Pedro Sánchez é associado muitas vezes a Simeone, treinador do clube da capital, por causa do discurso.

"Nunca dejes de creer" [Nunca deixes de acreditar] é um dos lemas do Atlético de Madrid, uma das frases mais repetidas pelo treinador e uma expressão que caracteriza o político espanhol. O objetivo era ser presidente do Governo espanhol e contra todos os obstáculos e contrariedades, e de uma forma nada habitual, Sánchez conseguiu-o.

O próprio Pedro Sánchez chegou mesmo a usar uma frase de Diego Pablo Simeone: “Partido a partido, y al final, todo suma” [Jogo a jogo e no fim tudo se soma].

Sánchez teve vários "partidos" [jogos] até chegar ao topo, ganhou e perdeu, e no final lá conseguiu o objetivo. Depois de entrar no Congresso de Deputados em 2013, Sánchez começou a ganhar relevância dentro do PSOE e o facto de vários notáveis do partido terem marcado presença na apresentação do livro que escreveu nesse mesmo ano levantou ondas sobre uma possível candidatura à liderança do partido. 

Após isso, o nome de Sánchez começou a ser sugerido para a liderança do partido e ele avançou, sendo candidato nas diretas de 2014, após os maus resultados do PSOE nas Europeias desse ano. O partido precisava de sangue novo e Pedro Sánchez venceu as diretas com 49 % dos votos, frente a 36 % de Madina e 15 % de Pérez Tapias.

O objetivo seguinte era vencer as eleições para primeiro-ministro de dezembro de 2015 e governar Espanha. Sánchez esteve perto de o conseguir, numa espécie de "Geringonça" espanhola. O PSOE foi a segunda força política com mais votos, elegendo 90 deputados. O Rei Filipe VI sugeriu-o como novo Presidente do Governo e o PSOE fez um acordo com o Ciudadanos, que tinha elegido 40 deputados.

A investidura foi a votos em fevereiro de 2016, mas foi negada no Congresso de Deputados com 219 contra e apenas 131 a favor.

Espanha voltou a votos em junho de 2016 e o PSOE teve uma votação histórica, pela negativa. Apenas 85 deputados e o sonho da presidência a "esfumar-se". O Partido Popular fez um acordo com o Ciudadanos e Mariano Rajoy foi investido.

O renascer da crise do PSOE

Após estas eleições de 2016, o PSOE entrou em crise e houve mesmo um pedido formal de demissão de Pedro Sánchez de secretário-geral. Sánchez demitiu-se, deixou que o partido fosse gerido por uma comissão de gestão como os críticos queriam e renunciou ao cargo de deputado.

Este passo atrás não significou o afastamento. Sánchez recuou, mas voltou a candidatar-se às diretas do partido e surpreendentemente conseguiu vencer. Em maio de 2017, frente a Susana Diaz e Patxi López, Sánchez conseguiu mais de 50% dos votos.

Era a nova vida de Pedro Sánchez, que poucos esperavam, e para surpresa maior um ano depois é presidente do Governo espanhol, após a moção de censura ao Partido Popular e Mariano Rajoy.