Espanha está numa corda-bamba. Esta segunda-feira, decorre no parlamento espanhol o debate de formação de governo, sendo que, o  Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e o Podemos continuam sem acordo para formarem um governo de coligação. Uma situação dramática, uma vez que está agendada para quinta-feira a votação final no Congresso dos Deputados. 

Pedro Sánchéz, líder do PSOE, ganhou as legislativas de 28 de abril, com 28,7% dos votos, elegendo 123 deputados. Já o Podemos, conseguiu eleger 42. Juntos, conseguem um total de 165 deputados, um número que fica aquém dos 176 necessários para governarem em maioria. 

Desde então, os dois partidos têm-se desdobrado em negociações, mas estas foram suspensas domingo, sem acordo. Já se passaram dois meses e meio desde as eleições legislativas em espanha, sem que tivesse existido um único avanço nas conversações entre o PSOE e o Podemos. Neste momento, já decorre no parlamento o debate de formação no governo, que estava marcado para as 12:00 (horas locais, 11:00 em Lisboa). Isto significa que Pedro Sánchez chegou ao debate sem acordo.

Não é novidade de que o Podemos iria pressionar os socialistas no sentido de querer ir para o governo e não ficar com “responsabilidades simbólicas”. O partido de Pablo Inglesias quer ter poder de decisão para delinear estratégias que possam subir o salário mínimo para 1.200€ ou que permitam baixar a fatura da luz. Quer assumir pastas de ministérios capazes de mudar o rumo de Espanha, como o ministério do Trabalho. Pablo Inglesias quer ser ministro, mas não um ministro qualquer, e para Sánchez isso não é sequer opção. Admitiu que lhe poderia atribuir um ministério, mas com responsabilidades subalternas.

Todavia, os 123 deputados eleitos pelo PSOE e os 42 do Podemos, não são suficientes para uma maioria governativa. Para isso precisariam de um total de 176 deputados e, os dois juntos, só têm 165.

Quinta-feira Sánchez enfrenta a votação final, para saber se tem ou não confiança política suficiente para assumir o cargo de primeiro-ministro, e, para isso, só precisa de ter mais votos a favor do que contra. Dito por outras palavras, o socialista precisa do apoio ou da abstenção de Podemos e de alguns partidos independentistas.

Quanto ao Partido Popular, ao Cidadãos e ao Vox, já anunciaram que vão votar contra essa solução governativa.  

Espanha corre o risco de ir para eleições antecipadas caso Sánchez não passe neste teste de fogo. Seriam as quartas eleições no espaço de quatro anos. Não nos podemos esquecer de que Espanha nunca teve um governo de coligação e, portanto, todo este cenário é uma completa novidade da política do país.