As regiões espanholas votaram favoravelmente esta terça-feira para o acolhimento de 200 menores que chegaram a Ceuta de forma ilegal, vindos de Marrocos.

Perante o grande volume de menores que chegaram à cidade espanhola, os locais de acolhimento temporário do Ministério dos Direitos Sociais acabaram por ficar sem espaço, o que motivou que o governo tenha pedido às diferentes regiões para que acolhessem os menores de forma equitativa.

Dos mais de nove mil migrantes que chegaram ilegalmente, cerca de 1.500 são crianças e adolescentes.

Agora, das 16 comunidades convocadas para a reunião, duas torceram o nariz à proposta do ministério para oferecer espaço a um total de 37 menores menores. Segundo o El País, a região de La Rioja indicou ao Conselho Territorial de Serviços Sociais que não tem capacidade para acolher todos os lugares propostos, devendo assim ficar com cinco menores. Por seu lado, a Comunidade de Madrid terá sido a única a votar contra a proposta no seu todo, ainda que vá acabar por receber 20 crianças.

O conselheiro de Políticas Sociais de Madrid, Javier Luengo, criticou a política migratória de Pedro Sánchez, tendo ainda questionado a capacidade do conselho para garantir que o acordo alcançado é cumprido.

Em sentido contrário, a Comunidade Valenciana disponibilizou-se para receber os outros 12 menores inicialmente atribuídos a La Rioja, pelo menos até que aquela região tenha condições para o acolhimento.

A proposta do governo espanhol tem em conta a população de cada região, o número de menores que iria acolher e o rendimento per capita.

Esta proposta abrange apenas menores anteriormente assinalados pelas diferentes comunidades, sendo que o objetivo é dr mais margem para que se possa cuidar melhor dos vários migrantes que ainda estão em Ceuta.

Assim, a Comunidade Valenciana torna-se a que vai receber mais menores, num total de 25. Seguem-se Madrid e a Galiza, com 20.

A crise entre Madrid e Rabat agudizou-se depois de Espanha ter acolhido, por motivos de saúde, o secretário-geral da Frente Polisário, que luta pela independência do Saara Ocidental contra a ocupação de Marrocos.

Nos últimos dias, cerca de nove mil marroquinos conseguiram entrar em Ceuta, incluindo cerca de 1.500 menores, e Espanha acusa Marrocos de incentivar a passagem de migrantes pelas fronteiras das regiões autónomas de Ceuta e de Melilla, no norte de África.

A União Europeia colocou-se ao lado de Espanha, afirmando que não cede a “chantagens” de Marrocos.

António Guimarães