A imprensa espanhola está a avançar, nesta terça-feira, que o rei emérito Juan Carlos poderá estar na República Dominicana, para onde se terá deslocado depois de avisar o filho, o rei Felipe VI, que decidiu morar fora do país.

Apesar de o Palácio Real ter anunciado, na segunda-feira, a decisão de Juan Carlos de sair do país, não avançou qualquer informação sobre o destino de Juan Carlos, sendo que a TVI sabe que o rei emérito espanhol poderá vir viver para Portugal. Fonte policial confirmou à TVI que estará a ser delineado um plano de segurança para que Juan Carlos possa viver no nosso país.

A imprensa espanhola dá como certo que o monarca, alvo de uma investigação por corrupção, já deixou o território na segunda-feira, embora nem o Palácio Real nem o governo o tenham confirmado.

A primeira página do site do diário ABC, favorável à monarquia, diz que Juan Carlos, de 82 anos, visitou a República Dominicana, tendo o El Mundo e o La Vanguardia acrescentado que o rei emérito pretende ficar uns tempos com os amigos naquele país das Caraíbas. As mesmas publicações acrescentam que o monarca terá partido num avião que descolou do Porto.

Mas o jornal online El Confidencial escreve que Juan Carlos poderá preferir viver em Portugal, onde passou a primeira infância, ou em França ou Itália, onde tem família.

O mesmo jornal adianta que o rei emérito viajou de carro até Azeitão, para se juntar à família Brito e Cunha-Espírito Santo, com quem mantém uma relação de amizade desde o exílio no Estoril.

Outra hipótese avançada pela imprensa é uma estadia em Marrocos, onde Juan Carlos tem uma propriedade com cerca de 36 mil metros quadrados, em Marraquexe, oferecida pelo rei Maomé VI.

Mais teorias avançam ainda uma possível ida para a Arábia Saudita ou Nova Zelândia, sendo que um jornalista do programa El Chiringuito de Jugones avança a possibilidade de uma ida para os Emirados Árabes Unidos. Além de República Dominicana e Marrocos, o El Español também refere a hipótese de uma estadia em Genebra, Suíça.

Àquele diário, fonte próxima da monarquia garante que apenas cinco pessoas sabem do verdadeiro paradeiro de Juan Carlos: Felipe VI, rei de Espanha e filho do monarca, o primeiro-ministro Pedro Sánchez, o antigo líder da inteligência espanhola, Sanz Roldán, o advogado pessoal do rei emérito, Sánchez Junco, e Jaime Alfonsín, chefe da Casa Real.

O Palácio Real recusa comentar as especulações, depois de ter publicado uma carta de Juan Carlos ao seu filho Felipe VI, na qual anunciou a sua decisão de se afastar de Espanha para ajudá-lo a “exercer as suas responsabilidades”.

Na carta, Juan Carlos diz que pretende facilitar o exercício das funções de Felipe VI, pelo que deixará de viver no Palácio da Zarzuela e sai de Espanha, perante “a repercussão pública” de “certos eventos do passado”.

A decisão de Juan Carlos acontece quatro meses depois de Felipe VI ter privado o seu pai de uma subvenção pública de quase 200 mil euros anuais, enquanto renunciava a qualquer herança que pudesse corresponder às suas contas no estrangeiro.

Juan Carlos viu-se envolvido numa investigação judicial, desde o verão de 2018, quando agentes da polícia suíça foram enviados por um juiz para analisar as contas de uma empresa gestora de fundos alegadamente ilegais em paraísos fiscais, onde o rei emérito tem investimentos pessoais.

O antigo rei de Espanha não está a ser investigado, mas fontes judiciais suíças já disseram que pode vir a sê-lo num futuro próximo, embora a lei exija que apenas o departamento fiscal do Supremo Tribunal possa assumir o caso.

A investigação está na fase que pode determinar se há indícios suficientes para poder acusar Juan Carlos de ter cometido algum delito, desde que deixou o trono. Os seus advogados já disseram que o rei emérito continuará a colaborar com a justiça, apesar da decisão de deixar Espanha para viver noutro país.

/ Publicado por António Guimarães