O primeiro-ministro espanhol, o socialista Pedro Sánchez, defendeu hoje a formação de um governo de esquerdas na Catalunha que afaste os independentistas do Juntos pela Catalunha de Carles Puigdemont, que comparou ao Vox, a extrema-direita espanhola.

Na sua primeira avaliação das eleições de domingo naquela comunidade autónoma espanhola, o chefe do executivo espanhol realçou a "estrondosa vitória" do candidato do Partido dos Socialistas da Catalunha (PSC, associado ao PSOE), Salvador Illa.

Abriu-se uma via que é pedida com grande insistência pela sociedade catalã para o reencontro e não para a confrontação como vocês vêm alimentando há muitos anos", disse Sánchez em resposta a uma pergunta feita por uma deputada do Juntos pela Catalunha (JxC, direita independentista) no parlamento, hoje de manhã.

O PSC ganhou as eleições regionais na Catalunha (23,0% e 33 deputados), mas a soma dos partidos separatistas conseguiu ter a maioria absoluta dos votos, assim como dos lugares no parlamento regional, tendo a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC, 21,3%, 33 deputados) substituído o JxC (20,0%, 32 lugares) como maior partido independentista.

Pedro Sánchez reconheceu que existe um conflito entre duas partes da sociedade catalã (independentistas e constitucionalistas) e, por conseguinte, reiterou a necessidade desse reencontro e diálogo no âmbito da legalidade democrática.

O chefe do Governo espanhol gostaria que o seu candidato na Catalunha, Salvador Illa, conseguisse formar o novo executivo na região, mas os partidos independentistas, muito divididos, mas em maioria, estão a tentar encontrar uma solução de continuidade, desta vez liderada pela ERC.

Pedro Sánchez lamentou as posições extremistas, xenófobas e a fazer a apologia do ódio, tanto no Vox como entre os líderes de JxCat, cujo líder, Carles Puigdemont, fugiu para a Bélgica depois da tentativa falhada de independência da Catalunha em 2017.

O primeiro-ministro espanhol salientou que a Catalunha necessita de um Governo diferente e progressista, liderado pelo PSC e pelo En Comú Podem, associado ao Podemos (extrema-esquerda) que está coligado com o PSOE no Governo em Madrid.

Pedro Sánchez chega a estas conclusões depois dos resultados das eleições regionais em que acredita que os catalães, depois de um executivo regional falhado, segundo ele, pedem uma solução de esquerda para a crise e, portanto, onde o JxC não entra.

A reta final da campanha eleitoral na Catalunha foi marcada pela assinatura de um documento entre os partidos independentistas com assento parlamentar – JxC, ERC, CUP (Candidatura de Unidade Popular, extrema-esquerda), e PDeCAT (Partido Democrático Europeu da Catalunha, direita) – para que não houvesse pactos pós-eleitorais com o PSC.

/ MJC