O Supremo Tribunal espanhol decidiu esta terça-feira travar a exumação do corpo de Francisco Franco. A transferência dos restos mortais do ditador espanhol do Vale dos Caídos para o cemitério de El Pardo estava prevista para a próxima segunda-feira, mas cinco magistrados acederam "por unanimidade" ao pedido da família para que se suspendesse a ação programada pelo governo de Pedro Sánchez, avança o El País.

A razão adiantada para esta decisão relaciona-se com o "prejuízo" que adviria para os intervenientes, sobretudo para os interesses públicos na figura do Estrado e instituições constituicionais, se uma vez exumados os restos mortais de Franco fosse dada razão à família e fosse necessário devolver o corpo ao lugar em que se encontra nesta altura, um monumento à vitória na Guerra Civil espanhola.

A decisão do Supremo prevê apenas a suspensão da exumação enquanto não há decisão definitiva sobre o local para onde são transferidos os restos mortais do ditador. A justiça terá de decidir se ignora os desejos da família, que só aceita a transferência dos restos mortais de Franco para a catedral de Almudena. 

O Governo espanhol tinha decidido em 15 de março último exumar a 10 de junho os restos mortais do antigo ditador para o cemitério de Mingorrupio, na povoação de El Pardo, também nos arredores de Madrid.

Para o Governo socialista, o corpo do ditador não pode ser transferido para qualquer local onde possa ser “enaltecido ou homenageado”. O Tribunal Supremo espanhol rejeitou em 17 de dezembro último um primeiro pedido da família de Francisco Franco para que o Governo suspenda o processo de exumação do corpo do ditador.

Francisco Franco integrou o golpe de Estado que, em 1936, marcou o início da Guerra Civil Espanhola, tendo exercido desde 1938 o lugar de chefe de Estado, até morrer em 1975, ano em que se iniciou a transição do país para um sistema democrático.