Um novo estudo de especialistas australianos e timorenses concluiu que Timor-Leste regista taxas de prevalência de sarna e impetigo entre as mais elevadas do mundo, especialmente nas zonas rurais, sendo necessárias “estratégias urgentes” de controlo.

Dados do estudo, ao qual a Lusa teve acesso, mostram que a prevalência de sarna atingia os 30,6%, com a propensão a ser mais elevada em zonas rurais do que urbanas e a afetar especialmente crianças entre os 5 e os 9 anos.

No caso do impetigo a prevalência atinge os 11,3%, com as crianças em zonas rurais a serem duas vezes mais propensas à doença do que as da cidade de Díli.

A prevalência da sarna e do impetigo em Timor-Leste está entre as mais altas registadas a nível mundial, particularmente nas zonas rurais. A infestação de sarna está fortemente associada ao impetigo”, refere-se no estudo.

 

São urgentemente necessárias estratégias de controlo abrangentes em Timor-Leste”, sublinha-se.

A análise foi realizada por um grupo de especialistas de várias instituições australianas  e timorenses, incluindo o Royal Darwin Hospital, o Instituto  Kirby, da Menzies School of Health Research da Charles Darwin University, o Murdoch Childrens Research Institute, o Ministério da Saúde timorense e o Hospital Nacional Guido Valadares em Díli.

Endémica em vários países tropicais, especialmente os de baixo e médio rendimento, a sarna e o impetigo são doenças de pele altamente contagiosas, estimando-se que haja mais de 175 milhões de pessoas em todo o mundo infestadas pelo ácaro que a provoca.

A sarna é reconhecida como uma das doenças tropicais negligenciadas, apesar de haver intervenções eficazes disponíveis, que continuam a causar morbilidade significativa, especialmente entre as comunidades mais pobres dos países tropicais e subtropicais”, nota-se no estudo.

As duas doenças afetam desproporcionalmente bebés, crianças, adolescentes e muitos idosos.

Para o estudo, profissionais médicos especializados e treinados na deteção das doenças, visitaram três escolas – uma na capital Díli e outra nas zonas de rurais de Ermera e Manufahi – onde examinaram 1.043 crianças e jovens.

Desde 1970 já se realizaram no país três estudos sobre a sarna e a impetigo, com o mais recente – realizado em Díli e Ermera em 2016 – a apontar taxas de prevalência de sarna de 22,4% e de impetigo de 9,7%.

Em 2019, seguindo uma recomendação da Organização Mundial de Saúde, o Ministério da Saúde de Timor-Leste acrescentou a ivermectina – usada no combate à sarna – ao programa anual de administração de medicamentos em massa (MDA).

Dez profissionais de saúde (seis médicos de Timor-Leste, três médicos visitantes e um estudante de medicina visitante) foram formados para detetar estas doenças e outros problemas de pele, sendo liderados por um médico australiano com vários anos de experiência de trabalho numa população onde a sarna é endémica, no norte da Austrália.

/ LF