A França “partilha a constatação do Reino Unido” sobre a responsabilidade da Rússia no envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal em solo britânico, lê-se hoje num comunicado da presidência francesa.

Emmanuel Macron, que falou esta quinta-feira de manhã novamente com a primeira-ministra britânica, considerou que, tal como Theresa May, “não há outra explicação plausível” senão uma ação da Rússia.

O presidente francês realçou que o Reino Unido o tem mantido informado sobre o caso e, sobretudo, das provas obtidas pelos investigadores britânicos.

As informações provam a responsabilidade da Rússia no ataque”, disse Macron que, tal como May, condenou o uso de armas químicas.

Macron adiantou também estar de acordo com May quanto à importância de os países europeus e os Estados-membros da NATO estarem unidos na resposta ao ataque.

Apesar de Moscovo ter rejeitado sempre as acusações, a primeira-ministra britânica fez um ultimato à Rússia para esclarecer a situação, expulsou 23 diplomatas russos de Londres, acionou as Nações Unidas, União Europeia (UE) e NATO e exigiu uma resposta internacional conjunta ao primeiro ataque químico em território europeu desde o fim da I Guerra Mundial (19143/18).

O ex-espião duplo de origem russa, 66 anos, e a filha Yulia, 33, foram encontrados inconscientes a 4 deste mês num banco num centro comercial em Salisbury, no sul de Inglaterra, e estão hospitalizados em “estado crítico, mas estável”.

Dias depois, o chefe da polícia antiterrorista britânica, Mark Rowley, revelou que Serguei Skripal e a filha tinham sido vítimas de um ataque deliberado com um agente neurotóxico, um componente químico que ataca o sistema nervoso e que pode ser fatal.

Na segunda-feira, numa intervenção no Parlamento, May considerou “muito provável” que a Rússia tivesse sido responsável pelo duplo envenenamento.

Dois dias depois, a primeira-ministra britânica, além da expulsão dos 23 diplomatas, anunciou a “suspensão de contactos bilaterais” com Moscovo, decisão que a embaixada russa em Londres classificou como "hostil", "inaceitável" e "injustificada".

A Rússia nega qualquer a responsabilidade no ataque, que já mereceu a condenação de vários governos, incluindo o de Portugal, e de dirigentes como o Presidente norte-americano, Donald Trump, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg.