O Presidente dos EUA, Donald Trump, voltou esta quarta-feira a declarar-se inocente no inquérito para a sua destituição, no dia em que na Câmara de Representantes serão votados dois artigos de ‘impeachment’ por abuso de poder e obstrução ao Congresso.

Os democratas já garantiram que têm o número de votos suficientes para garantir a vitória na votação no plenário da Câmara de Representantes, depois de o Comité Judiciário ter aprovado os dois artigos de destituição, na semana passada.

Donald Trump voltou a declarar-se inocente no inquérito para destituição, que arrancou no início de outubro, com acusações de que o Presidente teria pressionado o seu homólogo da Ucrânia, Volodymyz Zelensky, para investigar a atividade, junto de uma empresa ucraniana envolvida em casos de corrupção, do filho de um rival político, Joe Biden.

“Querem acreditar que eu vou ser hoje destituído pela esquerda radical, pelos democratas que nada fazem, quando eu não fiz nada errado!”, escreveu esta quarta-feira o Presidente na sua conta pessoal da rede social Twitter.

Na terça-feira, Trump escreveu mesmo uma carta à líder da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, denunciando o que considera ser uma “cruzada cruel” contra o Presidente, com puras motivações políticas de fragilizar a sua recandidatura em 2020.

“Quando as pessoas olharem para trás, quero que entendam e aprendam, para que nunca mais aconteça com outro Presidente”, escreveu Trump na carta enviada a Pelosi.

A líder democrata da Câmara de Representantes preferiu enviar uma mensagem para a sua bancada parlamentar pedindo para que vote unida na votação que hoje decorrerá sobre os dois artigos para destituição.

“Na América, ninguém está acima da lei”, escreveu Pelosi na missiva aos representantes, lembrando-os de que “os factos deixaram claro que o Presidente abusou do seu poder para benefício político e pessoal, para além de ter obstruído o Congresso”, referindo-se ao teor dos argumentos dos dois artigos de destituição que serão votados.

A frase (“Na América, ninguém está acima da lei”) foi inscrita nas camisolas de muitos apoiantes do processo de destituição que se manifestaram em várias cidades norte-americanas, desde Aspen, no Colorado, até Boston, no Massachusetts.

Se a Câmara de Representantes aprovar os artigos por maioria simples, como tudo indica, Donald Trump poderá tornar-se o terceiro Presidente norte-americano a passar a fase seguinte do processo para ser destituído, depois de Andrew Johnson (1868) e de Bill Clinton (1998).

Nesse caso, o processo passará para o Senado, que se constituirá com um tribunal para o julgamento político de Donald Trump, de acordo com a Constituição.

Democratas e republicanos já estão em negociações sobre os termos do julgamento político, que analisará se o Presidente cometeu um crime passível de levar à demissão, o que nunca sucedeu na história dos EUA, já que Andrew Johnson e Bill Clinton foram absolvidos no Senado.

O julgamento será conduzido pelo juiz John Roberts, mas serão os senadores quem servirá de juízes, perante os advogados nomeados pelo Presidente.

Se houver uma maioria de 2/3 de votos favoráveis no Senado, Donald Trump será o primeiro Presidente dos EUA a ser demitido.

Contudo, este cenário é pouco provável, já que os republicanos têm uma maioria confortável no Senado e já manifestaram a intenção de se unir na rejeição da pretensão de rejeitarem o processo espoletado pelos democratas.

/ RL