A Academia Nacional de Medicina (ANM) venezuelana pediu ao Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que doe o excedente de vacinas contra o novo coronavírus à Venezuela.

O pedido foi feito através de uma carta enviada ao embaixador dos EUA para a Venezuela, James Story, anunciou o presidente da ANM, Enrique S. López Loyo.

“Temos acompanhado com atenção o esforço extraordinário que a administração do Presidente Biden tem feito para vacinar os cidadãos dos EUA, bem como a possibilidade de o seu país doar o excesso de vacinas em seu poder para nações menos favorecidas”, disse aos jornalistas.

Sabendo que há muitos países que poderiam beneficiar com esta ação generosa de solidariedade, sugerimos respeitosamente que a Venezuela seja considerada entre eles”, acrescentou.

Na carta, a ANM sublinha que a Venezuela está a “enfrentar uma crescente epidemia da covid-19, que se soma a uma crise humanitária complexa que afeta o país desde 2016”.

A Academia tem alertado repetidamente sobre a grave situação de ter que confrontar dita pandemia com um sistema de saúde colapsado e sem o número de doses de vacinas necessárias para imunizar a quase 15 milhões de venezuelanos, ou seja, a 70% da população adulta”, explica.

Por outro lado, explica que “a conduta perante esta epidemia põe a Academia Nacional da Venezuela numa situação única para facilitar uma possível doação, servindo de garantia de um processo que sem dúvidas seria muito complica”.

A Academia tem mantido uma posição institucional sólida e independente na busca de opções seguras e confiáveis para cobrir os requerimentos das vacinas que a Venezuela necessita, antepondo os nossos 117 anos de história e a altíssima credibilidade das nossas executórias”, afirma.

Na sexta-feira, o presidente da Federação Médica Venezuelana (FMV), Douglas León Natera, alertou que a Venezuela necessita 40 milhões de doses de vacinas contra a covid-19, sublinhando que o número de contágios no país é superior ao divulgado publicamente.

Apenas chegaram 880 mil à Venezuela e necessitamos de 40 milhões de doses para imunizar a população venezuelana. O Governo não cumpriu a promessa de comprar dez milhões de vacinas”, disse Douglas León Natera.

Desde o início da pandemia de covid-19 no país, em março de 2020, morreram “365 médicos e 166 profissionais de saúde”, indicou, sublinhando, no comunicado, que “não há camas nos hospitais para atender pacientes” com covid-19.

De acordo com os dados oficiais, o país contabilizou 2.291 mortes associadas ao novo coronavírus SARS-CoV-2 e 207.870 casos da doença, desde o início da pandemia.

A organização não-governamental Médicos Unidos da Venezuela (MUV) indicou que, entre março de 2020 e terça-feira, morreram 537 profissionais da área da saúde.

A Venezuela recebeu meio milhão de doses de vacinas da farmacêutica estatal chinesa Sinopharm e pelo menos 250 mil doses da vacina russa Sputnik V.

Entretanto, Caracas anunciou ter adquirido mais de 11 milhões de vacinas contra a covid-19, através do Fundo de Acesso Global para Vacinas Covid-19 (Covax).

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.284.783 mortos no mundo, resultantes de mais de 157,5 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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