As Forças Armadas dos EUA enviaram especialistas em ciberguerra para a Estónia, este outono, para ajudar o país báltico a defender-se de potenciais ameaças informáticas a partir da Rússia, revelaram autoridades dos dois países.

O objetivo dos norte-americanos foi, não apenas ajudar um parceiro da NATO há muito alvo de ameaças dos vizinhos, mas também obter informações sobre táticas da Rússia que pudessem ser usadas contra interesses dos EUA, nomeadamente durante as eleições presidenciais de 3 de novembro.

A operação, levada a cabo pelo Comando Cibernético das Forças Armadas dos EUA, ocorreu na Estónia entre o final de setembro e o início de novembro, de acordo com informações esta semana reveladas por funcionários de ambos os países.

As autoridades norte-americanas reconheceram estar preocupadas com a possibilidade de interferência estrangeira, em particular da Rússia e da China, durante o período das eleições presidenciais, que deram a vitória ao candidato democrata, Joe Biden.

A missão, que envolveu uma operação militar conjunta dos EUA e da Estónia, representa uma evolução nas táticas cibernéticas das Forças Armadas norte-americanas, que estavam até agora apenas formatadas para reagir a ameaças, revelando que estão agora mais proativas relativamente aos perigos da ciberguerra.

O Departamento de Defesa dos EUA tem trabalhado para destacar uma estratégia mais agressiva, nos últimos anos, especialmente depois de a Rússia ter demonstrado ser capaz de interferir nas eleições presidenciais norte-americanas, como fez em 2016.

As autoridades norte-americanas estavam, por isso, em alerta máximo por causa da possibilidade de ações semelhantes nas eleições deste ano, mas não revelaram nenhum caso até agora ocorrido no ato eleitoral de 3 de novembro passado.

Quando olhamos para as ameaças que enfrentamos, da Rússia ou de outros adversários, o que realmente importa são as parcerias e a nossa capacidade de expandir o escopo, a escala e o ritmo das operações para dificultar a execução dos atos inimigos”, disse o general William Hartman, comandante do Comando Cibernético das Forças Armadas dos Estados Unidos, durante uma conferência de imprensa, esta semana.