Mais de 100 mil crianças migrantes estarão atualmente em centros de detenção nos Estados Unidos da América, avançou esta segunda-feira um perito independente da ONU, esclarecendo que esta estimativa, que classificou como “conservadora”, inclui menores não acompanhados e acompanhados pelos respetivos progenitores.

“O número total de crianças detidas nos EUA será de 103 mil”, afirmou, em declarações à AFP, Manfred Nowak, perito independente da ONU e principal autor do estudo global das Nações Unidas sobre crianças privadas de liberdade.

O perito admitiu ainda que esta estimativa sobre o número de migrantes menores detidos em território norte-americano é “conservadora”, esclarecendo, no entanto, que teve acesso a dados oficiais e a fontes de informação complementares “muito fiáveis”.

Manfred Nowak acrescentou que esta estimativa engloba menores que chegaram sozinhos aos Estados Unidos, mas também aquelas crianças que se encontram detidas juntamente com os respetivos progenitores e aquelas que foram separadas dos respetivos pais antes da detenção.

A nível mundial, o estudo aponta para cerca de 330 mil crianças detidas em 80 países por motivos relacionados unicamente a questões migratórias.

A detenção de crianças em questões relacionadas com as migrações nunca deve ser considerada (...) no interesse da criança. Existem sempre outras soluções", salientou Manfred Nowak.

Já em termos globais, o estudo estima que o número de crianças privadas de liberdade no mundo ultrapasse os sete milhões.

Fica claro pelas opiniões expressas pelas crianças no estudo que, para elas, a privação de liberdade significa essencialmente a privação da sua infância", sublinhou o perito.

Uma das principais conclusões deste estudo global é que as crianças privadas de liberdade são invisíveis para uma grande maioria da sociedade e que a realidade destes menores constitui uma grave violação da Convenção sobre os Direitos da Criança, documento adotado pelas Nações Unidas a 20 de novembro de 1989 e que este ano celebra 30 anos.

O estudo destaca ainda que as crianças privadas de liberdade pertencem a um dos grupos “mais vulneráveis, discriminados, excluídos e esquecidos” da sociedade contemporânea.