Tanto "à vontadex", pelos vistos, muitos não perdoam. A imagem tem vindo a correr mundo e continua a ser reproduzida à velocidade que as chamadas redes sociais permitem. Donald Trump recebia diretores de colégios e universidades em que os alunos são de maioria negra e por detrás destes, Kellyanne Conway estava relaxada e descontraidamente instalada, após ter feito uma foto da reunião com o telemóvel. De joelhos, em cima do sofá, com o ar mais natural do mundo.

A pose de Kellyanne ficou registada nas objetivas dos repórteres fotográficos. O seu à vontade, como se a Sala Oval da Casa Branca fosse a sala de estar de sua casa, indignou muitos. E divertiu muitos outros.

Os antigos forravam os sofás com plásticos apenas para mulheres como Kellyane Conway", escreveu um dos muitos que comentaram a foto no Twitter.

E logo outro afirmava, "não podem esperar que levemos sério esta "reunião" quando a pose é esta".

Mas como todas as moedas, as atitudes de Kellyanne também têm defensores. Mais ou menos, no caso presente. Há, pelo menos, quem recorde que a Sala Oval convida à descontração, incluindo os todo-poderosos presidentes, desde há muito apanhados a falar ao telefone com o pés sobre a secretária. Fossem o Republicano, George Bush, ou o Democrata, Barack Obama.

Kellyanne, um trajeto sem parar

Kellyanne Conway, há muito, que se fez notar na recente cena política norte-americana. Pelo melhor e pelo pior, consoante as opiniões.

Aos 50 anos, casada, mãe de quatro filhos, jurista, Kellyanne é a primeira mulher a alcançar o posto de conselheira de um presidente norte-americano. Conservadora, militante anti-aborto, esteve do lado de Ted Cruz nas primárias Republicanas. Quando o senador saiu para deixar passar Trump foi apontada a este para o assessorar. E tornou-se a estratega da campanha. Que seria vencedora.

Entre Trump e Kellyanne, quase se pode dizer que foi amor à primeira vista. Salvo seja. Até ver, têm sido unha com carne na administração norte-americana. Mesmo que a conselheira tenha já sido useira e vezeira em dar "tiros no pé".

Em janeiro, quando o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, afirmou que a cerimónia de posse de Trump fora a mais concorrida de sempre - o que esteve a muitos milhares de pessoas de ser verdade - Kellyanne justificou-o dizendo que apenas tinha apresentado "factos alternativos".

Depois, para justificar a lei anti-imigração de Trump, Kellyanne lembrou o massacre de Bowling Green em várias entrevistas: um caso que, em boa verdade, nunca aconteceu.

Por fim, Kellyanne ficou também marcada quando sugeriu aos norte-americanos, a partir da Casa Branca, que comprassem roupas das coleções vendidas pela filha do presidente, Ivanka Trump.

A roupa é aliás outro dos motivos com que Kellyanne tem dado nas vistas. Por exemplo, se o disfarce de Supermulher, usado em dezembro, ainda poderá ter alguma justificação, o vestido escolhido para a posse de Trump foi alvo de galhofa nas redes sociais. Farda de Napoleão foi dos comentários menos corrosivos.

/ PD