O controlo efetivo do aeroporto de Cabul, no Afeganistão, foi esta sexta-feira reivindicado pelos talibãs e desmentido de imediato pelos EUA.

Hoje, três locais importantes da parte militar do aeroporto de Cabul foram evacuados pelos norte-americanos e estão sob controlo do Emirado Islâmico” (como os talibãs designam o Afeganistão), escreveu na rede social Twiter, o seu porta-voz, Bilal Karimi.

“Agora, só uma pequena parte permanece nas mãos dos norte-americanos", acrescentou o responsável dos talibãs.

Pouco tempo depois, o porta-voz do Pentágono, John Kirby, desmentiu a reivindicação: “Eles (talibãs) não controlam qualquer porta de embarque nem qualquer operação no aeroporto. Continua sob controlo do exército norte-americano”.

Pelo menos 170 pessoas morreram e 150 ficaram feridas no atentado suicida perpetrado na quinta-feira pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico (EI) no aeroporto de Cabul, indicaram hoje fontes sanitárias e próximas dos talibãs.

Até agora, o número total ascende a 170 mortos, entre os quais soldados norte-americanos, e há pelo menos 150 feridos, disse uma fonte próxima dos líderes talibãs, citada pela agência Efe a coberto do anonimato.

Os Estados Unidos já tinham indicado que no atentado morreram 13 militares norte-americanos e outros 18 ficaram feridos e o Governo britânico também comunicou a morte de três cidadãos britânicos, dois adultos e uma criança.

EUA "sem pressa" para reconhecer governo dos talibãs

Os Estados Unidos e os seus parceiros internacionais rejeitam reconhecer apressadamente o governo dos talibãs no Afeganistão, disse o porta-voz do Presidente norte-americano, durante uma conferência de imprensa na Casa Branca.

Deixem-me ser clara, não há pressa no reconhecimento de nenhum tipo [do governo dos talibãs], da parte dos EUA ou dos parceiros internacionais com quem temos falado", disse Jen Psaki aos jornalistas, de acordo com a agência Efe.

Os EUA mantêm a intenção de terminar a evacuação e retirada do Afeganistão na terça-feira, 31 de agosto, apesar do atentado.

Também hoje, o porta-voz do Departamento de Estado, equivalente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros nos governos europeus, disse noutra conferência de imprensa que os EUA estão a "discutir ativamente" se manterão presença diplomática no país, depois da retirada.

"É algo que estamos a discutir ativamente, quer aqui, quer com os nossos aliados", disse Ned Price, indicando que em primeiro lugar tem de haver "condições básicas de segurança" no terreno para garantir que os diplomatas podem trabalhar.

Para além disso, apontou, tem de haver "uma série de critérios que têm de ser cumpridos" por parte do governo afegão a partir de 31 de agosto, elencando o "respeito pelos direitos dos cidadãos, especialmente as mulheres", um enfoque "inclusivo" e ainda o "cumprimento dos seus compromissos antiterroristas", que serão avaliados "pelas ações e não pelas palavras".

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