O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, considerou esta segunda-feira que os ataques contra milícias pró-iranianas no Iraque e na Síria enviaram uma “mensagem forte” a todos os que estiverem a opor-se às Forças Armadas dos Estados Unidos.

Esta ação de autodefesa, destinada a prevenir novos ataques, envia uma mensagem muito importante e forte”, disse Blinken aos jornalistas em Roma, onde participou na abertura de uma conferência de ministros dos Negócios Estrangeiros da coligação que luta contra o grupo Estado Islâmico (EI), considerando que a organização ainda se mantém como uma “ameaça para o mundo”.

“Quero acreditar que esta mensagem enviada pelos ataques da noite de domingo será ouvida e servirá de dissuasão para ações futuras” das milícias pró-Irão, acrescentou.

Segundo o Pentágono, foram realizados ataques contra centros operacionais e depósitos de armas em dois locais na Síria e um alvo no Iraque, instalações usadas por milícias apoiadas pelo Irão. 

Questionado se os Estados Unidos responsabilizavam o Irão pelos ataques, Blinken respondeu que “alguns grupos envolvidos nos ataques recentes” são “milícias apoiadas pelo Irão”.

No domingo, os ataques aéreos norte-americanos mataram quatro civis na Síria, incluindo uma criança, e combatentes pró-Irão no Iraque, que ameaçaram "vingar os mártires".

No mesmo dia, os Estados Unidos anunciaram um ataque a milícias apoiadas pelo Irão no Iraque e na Síria, em resposta ao aumento de ataques de 'drones' [aparelhos aéreos não tripulados] contra os seus interesses no Iraque.

Em Teerão, o Irão acusou os Estados Unidos de seguirem “um caminho errado na região” e “alterarem a segurança” do Médio Oriente com os bombardeamentos de domingo. 

“O que os EUA estão a fazer é alterar a segurança na região e serão uma das vítimas dessa insegurança”, advertiu o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Said Jatibzadeh.

Na conferência de imprensa semanal, o porta-voz aconselhou Washington a retificar as suas políticas e deixar de interferir nos assuntos internos da região com “comportamentos emocionais e criando crises e tensão”.

Também hoje, num comunicado, o exército iraquiano denunciou os ataques, considerando-os uma “violação flagrante da soberania” do seu país.

Por seu lado, paramilitares do Hachd al-Chaabi (Forças de Mobilização Popular), coligação que reúne todas as forças pró-Irão no Iraque, admitiu hoje os ataques causaram a morte a “um punhado de combatentes”.

O porta-voz do Pentágono, John Kirby, explicou em comunicado que, por ordem do Presidente, Joe Biden, as forças norte-americanas realizaram bombardeamentos “de precisão” de caráter defensivo contra instalações de grupos armados apoiados por Teerão.

Os ataques aéreos foram contra centros de armazenamento de armas e de operações, dois deles na Síria e um no Iraque.

Este é o segundo bombardeamento deste género realizado pelos EUA em território sírio contra alegadas posições de milícias pró-iranianas desde que Biden chegou ao poder.

No final de fevereiro, a aviação norte-americana bombardeou posições e um carregamento de armas de milícias iraquianas apoiadas pelas Forças de Mobilização Popular e pelo Kataib Hezbollah. Na altura, várias fontes estimaram que o número de mortos nessa ação tenha ficado entre um e 22.

Os interesses norte-americanos no Iraque têm sido alvo de repetidos ataques nos últimos meses. Os EUA acusam sistematicamente fações pró-Irão, principalmente as Forças de Mobilização Popular, de serem responsáveis.

/ AG