Os Estados Unidos são o país mais afetado pela covid-19. Com mais de 42 milhões de casos e 676 mil mortes, os dados ultrapassaram a contagem de mortos da gripe espanhola, que assolou o país em 1918 e 1919, matando aproximadamente 675 mil pessoas.

Ainda assim, a comparação entre o efeito das duas doenças na população é bem diferente. Há 100 anos os norte-americanos eram cerca de um terço da população atual, o que faz com que as taxas de mortalidade da covid-19 e da gripe espanhola sejam bem diferentes. Certo é também que a covid-19 ainda está presente no país, esperando-se mais mortes ao longo das próximas semanas.

A taxa de mortalidade mede o impacto da doença em toda a sociedade, incluindo aqueles que nunca foram infetados. No caso da covid-19, e de acordo com os dados atuais, têm uma importância de 0,2%. No caso da gripe espanhola esse número sobe para 0,65%, mais do dobro da covid-19.

Um dos segredos para a diminuição da mortalidade é o avanço na área da Saúde, algo que os especialistas dizem que até podia ter ajudado mais no combate ao Sars-cov-2.

Os grandes investidores da sociedade americana - e pior, os seus líderes - desperdiçaram esta oportunidade", afirmou o médico Howard Markel, em declarações à agência Associated Press em que lembrou a estagnação na vacinação.

Com efeito, os Estados Unidos foram dos primeiros países a iniciar a campanha de vacinação, mas há vários meses que enfrentam dificuldades para chegar a uma grande parte da população que não quer ser vacinada, com o crescimento do fenómeno negacionista a crescer dentro de portas.

Tal como a gripe espanhola, é cada vez mais provável que a covid-19 se torne endémica, uma doença que se instala na sociedade, e que vai ser sobretudo sazonal.

Esperemos que seja como apanhar uma constipação, mas não há garantias", lembra Rustom Antia, biólogo da Universidade de Emory.

Com o aparecimento da variante Delta, que tem assolado vários países desde março, o número diário de mortes nos Estados Unidos voltou aos valores da pior fase, com quase dois mil óbitos.

Os especialistas esperam um novo foco com a chegada do inverno, e a Universidade de Washington estima que 100 mil americanos possam morrer até ao início do próximo ano, o que faria a contagem disparar para quase 800 mil mortes, numa média de 980 mortes por dia.

António Guimarães