Um professora não vacinada contra a covid-19 foi responsável por um surto que ocorreu numa escola do condado de Marin, no estado norte-americano da Califórnia. Segundo o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla original), a mulher foi dar aulas com sintomas como tosse, febre e dores de cabeça, acabando por infetar metade dos seus alunos com o vírus, que acabou por se espalhar também a alguns familiares.

O departamento de saúde pública daquele condado começou uma investigação assim que ficou a saber do surto, ocorrido a 26 de maio, três dias depois de a professora ter sido diagnosticada com covid-19. Ao início os sintomas foram atribuídos a alergias, sendo que a mulher era apenas uma das únicas duas funcionárias que não tinha sido vacinada.

Entre os 24 alunos da turma, 12 acabaram por ficar infetados, sendo que 22 desses alunos não eram elegíveis para vacinação (tinham menos de 12 anos). Dessa forma, como reforça o CDC, estas crianças dependem da vacinação dos mais velhos para se protegerem de uma infeção.

Os especialistas concluíram, desta forma, que a incidência do vírus foi de 50%, sendo que os alunos que se sentavam mais perto da profesora tinham um maior risco de ser infetados. Nas duas filas mais próximas da frente o risco de infeção disparou para 80%, de acordo com o CDC, que publicou uma imagem a ilustrar o caso.

A maioria dos estudantes que estavam nas duas primeiras filas foi infetada, sendo que a professora terá lido algumas notas sem a utilização de máscara, violando os regulamentos para espaços fechados.

Quatro alunos de outras turmas também foram infetados na sequência do surto, todos eles irmãos de estudantes da primeira turma, tendo a exposição ao vírus ocorrido nas respetivas casas. Adicionalmente, outros quatro pais ficaram infetados após contactos com os filhos, sendo que desses, apenas um não era vacinado.

Mais tarde soube-se ainda da infeção de outros seis alunos de um ano diferente, tudo depois de um estudante infetado ter dado uma festa de pijama.

De todos os infetados, refere o CDC que 18 contraíram a variante Delta, mais contagiosa e perigosa.

A incidência do surto destaca a o potencial de rapidez e transmissibilidade da variante Delta, especialmente em populações não vacinadas como crianças novas demais para serem vacinadas", explica o relatório.

Depois de terem sido dos primeiros países a aprovar a vacinação contra a covid-19, os Estados Unidos enfrentam agora uma grande resistência à vacinação, nomeadamente pelo surgimento de movimentos negacionistas, que surgem com grande força no país.

António Guimarães