O presidente dos Estados Unidos anunciou na manhã desta sexta-feira que ele e a mulher estão infetados com covid-19. Donald e Melania Trump estão a cumprir quarentena, e, embora não tivessem sido referenciados quaisquer sintomas, uma fonte da Casa Branca revelou à agência Associated Press que o presidente tinha "sintomas leves", que se assemelham a os de uma constipação.

As únicas declarações oficiais sobre o assunto foram duas publicações do presidente e da primeira-dama, confirmando a infeção, às quais se seguiu uma nota do médico pessoal da Casa Branca, que ignorou a existência de sintomas, ainda que tenha referido que Donald Trump vai continuar a cumprir as suas tarefas "enquanto recupera".

Essa mesma carta foi partilhada por Judd Deere, que trata da comunicação do presidente e da Casa Branca.

A nota é assinada pelo médico Sean P. Conley, que afirma que atualizações sobre o estado de saúde do casal Trump vão ser dadas. Recorde-se que Donald Trump tem 74 anos, sendo, como tal, um doente de risco.

A notícia da infeção de Donald Trump surgiu a um mês das eleições presidenciais norte-americanas, marcadas para 3 de novembro. Os responsáveis da Casa Branca e do Partido Republicano garantem que a doença não vai interferir no trabalho do presidente, que tem um debate marcado com Joe Biden para o próximo dia 15 de outubro.

O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, também já realizou o teste, que veio negativo. O seu porta-voz garante que o número dois do governo norte-americano "continua de boa saúde".

O filho do casal Trump, Barron, que também vive na Casa Branca, testou negativo.

A pandemia de covid-19 parece ser mesmo a principal aliada do candidato democrata Joe Biden, tendo sido esse um dos temas que mais fez exaltar Donald Trump no primeiro debate entre ambos os candidatos presidenciais. Até ao início do ano a economia americana prosperava, e a reeleição do atual presidente parecia o cenário mais provável. A má gestão da doença e a constante desvalorização da mesma por parte de Donald Trump acabaram por resultar num rombo na sociedade, numa altura em que os Estados Unidos são, de longe, o país com mais infetados (mais de sete milhões) e com mais mortes (mais de 200 mil).

Quando foram convidados a falar da covid-19 durante o debate de 29 de setembro, Donald Trump chegou mesmo a criticar Joe Biden por utilizar máscara: "Eu não uso máscaras como ele. Sempre que o vemos, tem uma máscara. Pode estar a falar a 60 metros de mim e vai aparecer com a maior máscara que eu já vi".

Donald Trump junta-se a uma lista de vários políticos que já foram contagiados com o novo coronavírus. O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, é um dos mais céticos em relação à doença, mas acabou mesmo por ser infetado.

O caso mais grave de infeção foi o do primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, que chegou a estar internado numa unidade de cuidados intensivos, onde foi acompanhado por um enfermeiro português a quem agradeceu mais tarde.

António Guimarães