Donald Trump concedeu um perdão presidencial ao milionário Conrad Black, depois de este ter escrito uma biografia elogiosa sobre o presidente dos Estados Unidos.

Black caiu em desgraça quando foi condenado, em 2007, por práticas fraudulentas e obstrução à justiça, acusado de ter desviado milhões de dólares das vendas dos jornais da empresa que detinha. Foi condenado a seis anos e meio de prisão e acabou por cumprir três anos e meio.

Um antigo membro da casa britânica dos Lordes, Black foi deportado dos Estados Unidos e regressou ao Canadá após cumprir a sentença. Além da deportação, Black ficou impedido de entrar nos Estados Unidos nos 30 anos seguintes.

A nota de clemência foi assinada pelo presidente norte-americano nesta quarta-feira e refere que, apesar da condenação de Black, o supremo tribunal americano “discordou largamente e anulou quase todas as acusações”.

Black é um cidadão britânico de origem canadiana e ficou conhecido por deter um império mediático, com publicações como o The Daily Telegraph ou o Chicago Sun Times.

Este perdão surge no seguimento do livro escrito por Black, que também é historiador, intitulado “Donald J. Trump: um presidente como nenhum outro”. Na carta de perdão, Black é descrito pela Casa Branca como “um empresário e um escolástico” que teve uma “tremenda contribuição nos negócios, bem como na política e na história”.

Sem nunca mencionar a biografia escrita sobre Trump, a missiva fala na obra do autor para dizer que é um “autor de várias biografias e trabalhos historiográficos”. Black também escreveu biografias de Franklin Roosevelt e Richard Nixon, também eles presidentes dos Estados Unidos.

A nota, altamente elogiosa, acaba com a referência de que a decisão de perdoar Conrad Black é “inteiramente merecida”.

O magnata contou ao National Post como foi o momento em que soube do perdão: “Ligaram-me da Casa Branca e disseram-me para aguardar pelo presidente.” Black não terá acreditado, julgando ser uma partida de amigos, até que ouviu a voz de Trump.

Conrad continua a clamar inocência, alegando que tudo não passou de uma conjugação de “infelizes coincidências”, atirando a culpa para responsáveis administrativos e para os juízes do caso.