Em tempo de pandemia, o cenário eleitoral norte-americano tem sido uma autêntica encruzilhada e muito se deve aos votos à distância. Por essa razão, ainda antes de os norte-americanos irem às urnas a 3 de novembro, Donald Trump já ameaçava impugnar os resultados.

Mas foi durante a noite eleitoral que o candidato republicano reclamou vitória em Estados onde ainda não eram conhecidos os resultados e afirmou que ia recorrer ao Supremo Tribunal para que "a votação pare".

Queremos que a lei seja usada da maneira apropriada. Vamos para o Supremo Tribunal, queremos que a votação pare", vincou.

Com a maior parte dos votos à distância - contabilizados mais tarde - a irem para Joe Biden, Donald Trump perdeu os estados-chave e queixou-se da contagem de votos e dos "votos que desapareceram durante a noite".

Este método de votação à distância abriu os estados a contestações nos tribunais sobre questões como extensões propostas ao período em que os votos por correspondência são contados.

É importante lembrar que as contestações eleitorais nos tribunais estaduais não são novidade e, muitas das vezes, têm pouco impacto no final. No entanto, uma exceção importante foram as eleições de 2000, onde uma série de contestações legais sobre procedimentos de votação incorretos na Flórida entregaram a eleição a George W. Bush.

A estratégia de Trump

O Supremo Tribunal é a última instância nos Estados Unidos e tem poder discricionário sobre os casos que deve ouvir, em grande parte relacionados a contestações a casos ouvidos em tribunais inferiores.

Com mais de 40 casos pré-eleitorais por republicanos, a estratégia de Trump é argumentar ao Supremo Tribunal que qualquer medida para tornar a votação mais fácil e segura durante pandemia é inconstitucional e passível de fraude.

Um segundo argumento, utilizado várias vezes, é que muitas das medidas para garantir que a votação seja fácil foram tomadas por funcionários estatais - como governadores - em vez de legislaturas estatais, abrindo um caminho, segundo os conservadores, para uma contestação constitucional.

De acordo com o The Guardian, o cenário mais provável é os advogados contestarem a forma como uma eleição foi conduzida localmente e procurarem a anulação dos votos.

No estado da Pensilvânia, importante no panorama eleitoral, grupos de conservadores já aceleraram os casos para garantir que os boletins atrasados não sejam contabilizados.

Rafaela Laja