Donald Trump tem em vista mais uma excentricidade. Conhecido por ter feito fortuna na área do imobiliário, o presidente dos Estados Unidos está a pensar comprar a Gronelândia.

Muitos estão a levar o assunto como uma brincadeira, mas há quem leve a questão a sério na Casa Branca, segundo apurou a Reuters.

A Gronelândia é uma região autónoma da Dinamarca desde 1979 e é a maior ilha do mundo. Localizada no Ártico, esta zona representa cerca de um quinto do território dos Estados Unidos e perto de metade da União Europeia. Na Gronelândia vivem cerca de 50 mil dinamarqueses.

Os políticos dinamarqueses já reagiram à notícia, e parecem não acreditar que tal seja verdade. O primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Rasmussen disse mesmo que "deve ser uma espécie de brincadeira do Dia das Mentiras".

O porta-voz do Partido Popular Dinamarquês falou à emissora DR e considera "completamente ridículo" que a Dinamarca possa vender 50 mil cidadãos aos Estados Unidos.

Se ele está mesmo a contemplar isto, então é a prova final de que ele ficou louco", afirmou Soren Espersen.

As reações chegaram também de alguns representantes políticos da Gronelândia. Um dos dois representantes da ilha no parlamento dinamarquês, Aaja Larsen, afirma que a maior parte da Gronelândia prefere manter relações com a Dinamarca, chegando a dizer que "o pensamento imediato é: não, obrigado".

Estou segura que a maioria na Gronelândia acredita que é melhor ter uma relação com a Dinamarca que com os Estados Unidos, a longo prazo", afirmou a deputada do Inuit Atagatigiit à Reuters.

O antigo embaixador dos Estados Unidos na Dinamarca fala em "catástrofe", caso o cenário se venha a confirmar. Rufus Gifford acrescenta que "se alguém pensa que Trump tem isso em mente, por favor reconsiderem".

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Gronelândia também já reagiu, confirmando as versões dos outros governantes: "Estamos abertos a negócios, mas não estamos à venda", disse à Reuters.

A Gronelândia representa um território estratégico importante na geografia global. A influência sobre aquele território tem sido alvo de disputa por potências como os Estados Unidos, a China e a Rússia, segundo a Reuters.

Segundo o Wall Street Journal, esta não é a primeira vez que um presidente dos Estados Unidos tenta comprar a Gronelândia. Em 1946, e na ressaca da Segunda Guerra Mundial, Harry Truman ofereceu 100 milhões de dólares (cerca de 90 milhões de euros). Considerando a inflação, e segundo o site dollartimes, esse valor corresponderia a quase mil milhões e quatrocentos milhões de dólares atualmente, qualquer coisa como mil milhões e duzentos e cinquenta milhões de euros. Na altura, a Dinamarca recusou a proposta.

Donald Trump tem uma visita à Dinamarca marcada para setembro, e a Gronelândia deverá ser um dos temas em agenda.