Em tempos de pandemia, várias famílias com processos de adoção quase no final tiveram de adiar os sonhos devido à imposição do confinamento como medida de combate à propagação do novo coronavírus

Os sistemas de adoção em vários países foram gravemente afetados pelo encerramento de tribunais e clínicas, tal como pelas restrições entre viagens que impediram em muitos casos a transferência de crianças para as suas novas casas.

A maior parte das adoções internacionais foram interrompidas pelo encerramento das fronteiras e pelo cancelamento de pedidos de visto. Foi o caso de Dwight e Monik, um casal a morar em Portland, nos Estados Unidos, e que começou o processo de adoção de um menino chinês de três anos, em setembro de 2008.

O casal fez o pedido de visto no início de janeiro para poder voar para Changchun, no Nordeste da China. Semanas após, a agência de adoção cancelou a viagem ao mesmo tempo que o governo dos Estados Unidos emitiu um comunicado a desaconselhar todas as viagens para a China.

Com as fronteiras fechadas para prevenir uma segunda onda de infeções por Covid-19, o casal está num limbo, à espera de notícias sobre quando é que vão conseguir trazer o menino adotado até casa. 

Porém, com o orfanato de portas fechadas e sem serviços administrativos, o casal admite que tem sido frustrante passar tanto tempo sem saber novidades.

Há tanta incerteza. Acho que é essa a pior parte de tudo isto”, afirma Monik, de 40 anos, sublinhando que o processo de adoção, em si, já é complicado: “é muito passo a passo, não podemos ter muitas esperanças”.

A agência de adoção com que o casal tem estado a trabalhar, a Holt International, admite que existem 250 processos de adoção em espera.

Susan Cox, vice presidente das relações internacionais da empresa, explicou à CNN que, antes da imposição das restrições, pelo menos quinze famílias já tinham comprado bilhetes de avião.

Mas os problemas também surgiram no destino. Satwinder Sandhu, chefe executivo da agência de adoção IAC, no Reino Unido, avançou que sabe de casos de famílias presas em Marrocos e na Índia.

Sandhu adiantou ainda que os países em vias de desenvolvimento muitas vezes contam mais com as casas de acolhimento de crianças e orfanatos do que em assistência social e os recursos tornam-se escassos. 

Para as crianças nestas instituições, todos os meses que passam são meses perdidos. São meses em que as crianças podiam estar a criar ligações afetivas com as novas famílias”, afirma Satwinder Sandhu.