Um gerente de restaurante foi condenado a uma pena de dez anos de prisão depois de ter obrigado um homem com distúrbios mentais a trabalhar gratuitamente 100 horas por semana no seu restaurante em Conway, no estado norte-americano da Carolina do Sul.

O gerente de 54 anos, Bobby Paul Edwards, confessou ter espancado regularmente John Cristopher Smith com panelas, frigideiras e com o seu cinto.

O juiz do Tribunal Distrital da Carolina do Sul, Bryan Harwell, condenou o gerente a pagar 272.952 dólares ( 247.699 euros) à vítima, alegando que Bobby Paul Edwards “sujeitou a vítima a abusos físicos e psicológicos sempre que a vítima cometia um erro ou não trabalhava suficientemente rápido”.

 

Bobby Paul Edwards (à esquerda) e John Christopher Smith (à direita)

 

Numa ocasião, [o gerente] mergulhou pinças de metal em lubrificante a ferver e queimou o pescoço da vítima, insultando-o de forma racista”, diz o comunicado de imprensa do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Bobby Paul Edwards declarou-se culpado em junho de 2018 por crimes de trabalho forçado enquanto geria o restaurante “J and J” entre 2009 e 2014.

A vítima tem deficiências intelectuais e um QI inferior a 70, segundo um documento do Tribunal Distrital da Carolina do Sul.

É quase inconcebível que ocorrências de trabalho forçado persistam neste país - uma centena e meia de anos depois da Proclamação da Emancipação”, disse o Procurador-Geral Adjunto Eric Dreiband da Divisão de Direitos Civis, afirmando que “o Departamento de Justiça vai continuar a investigar, processar e condenar traficantes de humanos”.

 

O restaurante onde John Christopher Smith sofreu abusos durante cinco anos

Em 2017, John Cristopher Smith disse ao canal WPDE que, durante o tempo em que foi obrigado a trabalhar no restaurante de Bobby Paul Edwards, foi impedido de estar com a família.

Não podia ir a lado algum. Não podia ver a minha família. Tudo o que eu queria ver era a minha mãe. Não podia ver a minha mãe e não podia falar com ninguém”, disse John Cristopher Smith ao canal WPDE, confessando que o gerente o obrigava a ficar escondido na cozinha ou nas traseiras do restaurante sempre que a sua família o tentava visitar.

A vítima disse que a família do gerente não fez nada para impedir os abusos.

Eles sabiam”, confessou ao canal WPDE, “todos eles sabiam. Eles sabiam o que ele estava a fazer”.

Em 2014, Geneane Caines, uma cliente frequente do restaurante, ficou alarmada quando reparou nas cicatrizes no corpo de John Cristopher Smith e pediu ajuda. 

Estava sentada e, na extremidade do bar vi o Chris [a vítima] a sair da cozinha e a servir um prato de comida. Quando ele se inclinou, consegui ver uma cicatriz no seu pescoço”, disse Geneane Caines ao canal WPDE.

O Departamento de Serviços Sociais e a polícia de Conway estão envolvidos no caso de John Christopher Smith desde 2014. Desde aí, a vítima já trabalhou em dois restaurantes na área de Conway.