Os Estados Unidos acreditam que o avião que caiu esta terça-feira no Irão pode ter sido abatido acidentalmente por um míssil anitaéreo iraniano. Vários meios de comunicação norte-americanos estão a avançar que há oficiais do exército que têm informação nesse sentido.

A queda de um avião ucraniano perto da capital do Irão provocou esta quarta-feira a morte de todas as pessoas que seguiam a bordo, informaram as autoridades de emergência iranianas.

O acidente resultou na morte de 176 pessoas, entre passageiros e tripulantes, que seguiam a bordo do Boeing 737 da Ukraine International Airlines, que se despenhou pouco depois de descolar do Aeroporto Internacional Imam Khomeini, em Teerão.

A queda do avião aconteceu poucas horas depois de o Irão ter atacado duas bases norte-americanas no Iraque. Vários mísseis foram disparados para as localidades de Ain al-Asad e de Erbil.

The New York Times partilhou um vídeo no qual se pode ver o momento em que o míssil terá atingido o avião.

As reações internacionais

A Ucrânia já anunciou que abriu uma investigação ao acidente, na qual coloca a hipótese de um míssil ter sido a causa da tragédia. O presidente do país, Volodymyr Zelensky, convidou o Reino Unido a juntar-se às investigações. Uma nota divulgada esta quinta-feira afirma que o primeiro-ministro britânico se mostrou disponível a aceder ao pedido.

Além da hipótese de o aparelho ter sido atingido por um míssil, a Ucrânia investiga três outros cenários: terrorismo, falha técnica ou colisão com um drone.

Boris Johnson emitiu um comunicado sobre a situação, afirmando que o Reino Unido possui informação no sentido de o avião ter sido abatido por um míssil iraniano. Acrescentando que o ato possa ter sido sem intenção, o primeiro-ministro britânico exigiu uma "investigação transparente".

O primeiro-ministro do Canadá afirmou que o país tem informação que confirma que o avião terá sido abatido por um míssil. Segundo Justin Trudeau, "pode ter sido sem intenção".

É extremamente importante que a investigação seja credível e rigorosa", acrescentou.

A bordo do avião iam 63 cidadãos canadianos e quatro britânicos.

Teerão já pediu ao Canadá para partilhar as informações de que dispõe e pediu também à Boeing para se juntar à investigação.

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Entretanto, o Irão já veio reagir a estas notícias, através das agências Tasnim e Fars. O chefe da Organização de Aviação Civil do Irão afirmou que esta hipótese é "cientificamente impossível". Ali Abedzazeh acrescentou que havia vários aviões a voar nos céus de Teerão à altura do acidente.

Vários voos domésticos e internacionais voam ao mesmo tempo no espaço aéreo iraniano à mesma altitude de 8.000 pés, e essa história de ataque com mísseis (…) não podia estar mais incorreta”, indicou o Ministério dos Transportes iraniano, num comunicado.

O responsável iraniano aproveitou ainda para afirmar que as notícias de que o Irão não quer devolver as caixas negras do avião são mentira. Segundo Ali Abedzazeh, o país está disponível para cooperar na investigação das causas do acidente.

Veja qual o percurso feito pelo avião que tinha Kiev como destino e se despenhou ao largo de Teerão.

 

 

 

 

António Guimarães