Uma alta patente das forças militares norte-americanas, que terá falado sob condição de anonimato, adiantou à agência noticiosa Associated Press, que os Estados Unidos concluíram já que a Rússia, aliada do regime sírio do presidente Bashar Al-Assad, sabia previamente do planeamento de um ataque químico contra a localidade de Khan Cheikhoun, que terá vitimado cerca de uma centena de pessoas.

A autoria do ataque ainda não foi confirmada por quaisquer fontes independentes. As autoridades russas adiantaram que teria havido um bombardeamento de posições de rebeldes sírios, as quais atingiram depósitos de produtos químicos mantidos na localidade pelos rebeldes sírios.

Por outro lado, os Estados Unidos agiram e lançaram um ataque contra a base áerea síria, de onde dizem terem partido os aviões que bombardearam Khan Cheikhoun com armas químicas.

Hospital bombardeado

O oficial norte-americano, agora citado pela agência Associated Press, adianta que o Pentágono tem a certeza de que as força russas sabiam do ataque químico, levado a cabo pelos aviões sírios.

A fonte sustenta mesmo que um drone sobrevoou a zona após o lançamento do agente químico - que poderá ser gás sarin, segundo afirmaram autoridades turcas, após terem realizado algumas autópsias a vítimas - e que posteriormente, o hospital onde os feridos eram socorridos foi bombardeado por um avião russo.

Para Washington, há mais do que uma coincidência. Crê-se mesmo que o alegado bombardeamento do hospital terá sido uma forma de tentar encobrir o uso de armas químicas na Síria.

A agência noticiosa Associated Press, o militar ouvido não deu informações precisas sobre o momento em que o drone sobrevoou a cidade de Khan Sheikhtoun, no norte da Síria, onde mais de 80 pessoas foram mortas. E também não forneceu mais detalhes sobre o que as informações militares norte-americanas já concluíram.

Relações tensas

O episódio de ataque químico e a consequente retaliação por parte da aviação norte-americana contra uma base aérea síria levaram ao esfriar de relações entre Washington e Moscovo.

Esta segunda-feira, o poder russo anunciou que o secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, não será recebido pelo presidente Vladimir Putin, quarta-feira, quando visitar Moscovo.

O antecessor de Tillerson, John Kerry, chefe da diplomacia durante a administração de Barack Obama, era normalmente recebido no Kremlin pelo presidente russo, que também manteve vários encontros com Tillerson, quando este era o homem forte da petrolífera Exxon.