Responsáveis do governo norte-americano disseram hoje que os Estados Unidos da América vão continuar a pedir reformas na Organização Mundial da Saúde (OMS) e independência do Partido Comunista chinês, mas “quando for correto” podem considerar reentrada na estrutura.

Numa teleconferência para jornalistas, a que a Lusa teve acesso, Nerissa Cook, subsecretária de Estado adjunta para Assuntos de Organizações Internacionais, disse que os EUA podem voltar a considerar entrar na OMS se forem concluídas reformas e se houver “independência face ao Partido Comunista da China”.

A saída dos Estados Unidos da Organização Mundial da Saúde foi anunciada no passado mês de julho e deverá acontecer até 6 de julho de 2021.

A responsável do gabinete para organizações internacionais do Departamento de Estado disse hoje que o Presidente Donald Trump será o responsável pelas decisões de reentrada na OMS, apesar de Trump ter deixado claro que não vai reconsiderar a saída no próximo ano.

Nerissa Cook disse que os Estados Unidos vão redirecionar 62 milhões de dólares que ainda ia pagar à OMS este ano para operações da instituição mãe, Organização das Nações Unidas (ONU). A informação foi dada hoje à OMS em Genebra, Suíça, por diplomatas norte-americanos.

Nerissa Cook defendeu que a OMS “tem de ser independente nos processos e procedimentos ao lidar com a pandemia” de covid-19 e que os Estados Unidos estão a “advogar por maior rapidez e qualidade na comunicação” dos membros, criticando a “falta de responsabilidade e transparência”.

Segundo a subsecretária de Estado adjunta, o Presidente dos EUA “deu a oportunidade à OMS de praticar reformas”, que a organização negou e que justificou a decisão de saída.

Os Estados Unidos estão neste momento a “tentar identificar parceiros alternativos” internacionais para o trabalho de prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças em todo o mundo, declarou Alma Golden, administradora assistente para saúde global da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID, na sigla em inglês).

A responsável da USAID acrescentou que, ainda este ano, os Estados Unidos vão contribuir “voluntariamente” e pontualmente com 68 milhões de dólares especialmente para assistência humanitária fornecida pela OMS à Síria e Líbia.

Garrett Grigsby, diretor do gabinete de assuntos internacionais do Departamento de Serviços Humanos e de Saúde, garantiu que os “indivíduos” norte-americanos que ainda trabalham na OMS vão regressar aos Estados Unidos ou vão assumir outros cargos internacionais, sem especificar o número.

Garrett Grigsby defendeu ainda que os EUA vão continuar a pedir reformas na OMS até à conclusão do processo de saída, no próximo ano, porque, “se a organização funcionar melhor, será melhor para todos”.

O diretor do gabinete internacional do Departamento de Serviços Humanos e de Saúde, do Governo norte-americano, disse que o país é “líder em saúde a nível global e assistência humanitária” e que vai continuar a assegurar que a ajuda chega a pessoas necessitadas de todo o mundo.

Donald Trump continua a culpar China pela pandemia de covid-19, que já matou pelo menos 857.824 mortos e infetou mais de 25 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência AFP.

Os Estados Unidos são o país com mais mortos (184.689) e também com mais casos de infeção confirmados (mais de seis milhões).

 
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