A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos votou esta quarta-feira a favor do segundo pedido de destituição do presidente Donald Trump.

Dez republicanos votaram a favor do impeachment. Este é o processo de destituição em que mais membros do Congresso votaram a favor da destituição de um chefe de estado do seu próprio partido. O recorde anterior pertencia a Bill Clinton quando em 1998 cinco democratas votaram contra o ex-presidente.

O processo de impeachment aprovado esta quarta-feira é somente baseado em um artigo, "incitação à insurreição, pela responsabilidade de Trump na invasão ao Capitólio que culminou na morte de cinco pessoas.

Com uma votação final de 232-197, Donald Trump torna-se o primeiro presidente na história dos Estados Unidos da América a ser alvo de dois processos de destituição.

O processo será agora discutido no Senado - onde o líder republicano Mitch McConnel já admitiu votar favoravelmente - que irá decidir se o presidente incumbente será condenado e destituído do seu cargo. Um cenário mais difícil e que envolve uma maioria de dois terços, num órgão controlado pelos republicanos.

Este procedimento segue-se a um pedido formal, discutido na terça-feira à noite, para que o vice-Presidente invocasse a 25.ª emenda da Constituição para retirar poderes a Trump, invocando os riscos da sua manutenção no cargo para a segurança do país, que Mike Pence recusou, alegando que não serve os interesses do país.

Os democratas lutam agora contra o relógio, para conseguir que o artigo de destituição seja aprovado na Câmara e levado a tempo de ser votado no Senado, antes da tomada de posse do Presidente eleito, Joe Biden, em 20 de janeiro.

Pouco antes do início da votação da Câmara dos Representantes, Donald Trump escreveu um comunicado onde apela à calma “a todos os americanos”, num momento em se crê que a investidura de Biden gere manifestações violentas.

Peço-vos: nada de violência, nada de crimes, nada de vandalismo”, escreveu o inquilino da Casa Branca num breve comunicado enviado num momento em que o Congresso se prepara para o acusar pelo assalto ao Capitólio na passada quarta-feira.

Um dos momentos mais marcantes que antecedeu a obtenção da maioria representativa foi o discurso de Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes, que reiterou que Trump representa “um perigo claro e presente” para a nação.

Pelosi disse que os membros do Congresso “experimentaram a insurreição que violou a santidade do Capitólio do povo e tentou derrubar a vontade devidamente registada dos eleitores norte-americanos”.

Sabemos que o Presidente dos EUA incitou esta insurreição, esta rebelião armada, contra o nosso país. Ele deve ir embora. Ele é um perigo claro e presente para a nação e para todos nós”, disse Pelosi, na declaração inicial do debate no Congresso.

Donald Trump é acusado de ter sido o mentor da iniciativa que levou um grupo dos seus apoiantes a entrar em confronto com as autoridades, invadindo o Capitólio, em Washington, enquanto os membros do congresso estavam reunidos para formalizar a vitória do Presidente eleito, Joe Biden, nas eleições de novembro.