Os Estados Unidos e a União Europeia vão impor sanções à Turquia, para tentar travar a ofensiva contra os curdos na Síria. O governo turco, no entanto, não se mostra disposto a ceder e mantém o ataque no nordeste do país.

As tropas norte-americanas continuam na região, mas tudo indica que estejam mesmo de saída, como prometido por Donald Trump, que tem sido muito criticado por essa decisão e, talvez por isso, tenha decidido na segunda-feira castigar a Turquia.

Trump ameaça destruir a economia turca se a ofensiva não parar. Para já, vai aumentar as tarifas sobre as importações de aço turco para 50% e suspender as negociações para um acordo comercial no valor de 90 mil milhões de euros.

Estão ainda previstas sanções financeiras sobre vários governantes e ministérios. A União Europeia também decidiu tomar uma atitude mais agressiva na segunda-feira impondo uma suspensão da venda de armas a Ancara.

O exército turco bombardeou esta terça-feira Ras Al Ain sem cessar desde que começou a sua ofensiva contra o YPG, há uma semana. É aqui que se têm dado os combates mais intensos, com os curdos a resistir ferozmente ao avanço do exército nacional sírio, a milícia que está a ser usada pela Turquia neste ataque.

Os curdos contam agora com um aliado de peso na sua luta: o exército regular sírio, às ordens do presidente Assad.

Este apoio resulta de um acordo entre as duas partes e possibilitou que as forças de Damasco entrassem no território controlado pelos curdos.

A cidade de Manbij, que era um alvo anunciado dos turcos e dos seus aliados, está agora sob controlo das forças governamentais. Quem o diz é o ministério da defesa russo, que garante ter forças no local e diz estar a coordenar-se com os turcos.

Conselho de Segurança discute quarta-feira ofensiva turca

Os membros europeus do Conselho de Segurança da ONU pediram uma nova reunião à porta fechada sobre a ofensiva militar turca na Síria que deve realizar-se na quarta-feira, disseram fontes diplomáticas à agência France Presse.

A reunião foi pedida pela Bélgica, Alemanha, França, Polónia e Reino Unido.

Uma primeira reunião na quinta-feira revelou as divisões do Conselho e resultou numa declaração apenas dos europeus que pediam uma suspensão da ofensiva de Ancara.

A Rússia e a China bloquearam depois na sexta-feira um texto dos Estados Unidos que exigia também o fim da operação turca no norte da Síria.

Um diplomata que não quis ser identificado indicou que a Rússia poderá novamente opor-se a um consenso.

Moscovo, que já vetou 13 vezes resoluções do Conselho de Segurança desde o início da guerra na Síria em 2011, poderá ficar cada vez mais isolado na ONU.

Além dos Estados Unidos que exigem cada vez mais claramente uma paragem imediata da ofensiva militar, com sanções a ajudar, a China pediu hoje à Turquia para “suspender a sua ação militar e encontrar o caminho correto de uma resolução política”.

As forças de Ancara lançaram a ofensiva a 9 de outubro e desde então tomaram uma faixa fronteiriça de perto de 120 quilómetros.