Centenas de crianças filhas de imigrantes estão "detidas" em armazéns à espera dos pais, noticia a Association Press (AP).

São quase duas mil as crianças que foram retiradas dos pais desde que o attorney general (equivalente a ministro da Justiça) Jeff Sessions anunciou a política de "tolerância zero", com o objetivo de desencorajar a imigração sem documentos e que leva a que todos os imigrantes sejam acusados criminalmente. 

Este tema tem merecido muitas críticas e protestos nos EUA e, por isso, alguns jornalistas, advogados e responsáveis de organizações humanitárias foram autorizados a visitar as instalações e conseguiram apurar que só num armazém no Texas estão mais de 1.100 crianças. 

O armazém organiza-se em "gaiolas", cada uma com capacidade para 20 crianças. Nenhum dos jornalistas teve autorização para falar com as crianças nem tirar fotos, mas revelam que as crianças encontram-se nas "gaiolas" apenas com água, batatas fritas e grandes folhas de papel que servem de cobertores.

As 1.100 pessoas dividem-se por três alas: uma para crianças desacompanhadas, outra para adultos sozinhos e outra para mães com filhos. Há depois uma área comum com luz durante 24 horas e onde estão as instalações sanitárias.

Esta medida, de separar as crianças dos pais, é para os oficiais desta patrulha uma forma de dissuadir quem tenta entrar nos Estados Unidos de forma ilegal. Segundo a lei, a detenção é temporária e num prazo de três dias as crianças devem ser encaminhadas para outro tipo de serviços, e, segundo as autoridades policiais da fronteira, as crianças com menos de cinco anos nunca são separadas dos pais.

Só que, de acordo com a AP e com uma responsável da Women's Refugee Comission, há crianças com menos de cinco anos ao cuidado de outras crianças e adolescentes. Michele Brane também esteve várias horas no armazém e diz estar "profundamente chocada" com o que viu, revelando depois uma história surpreendente.

Brane contou que viu uma adolescente, de 16 anos, a tomar conta de uma de quatro anos, originária da Guatemala, e apurou que era uma situação que já acontecia há três dias. 

Ela teve de ensinar às outras meninas na cela a trocar a fralda", conta a responsável pela organização.

As pessoas presentes na visita começaram a fazer perguntas sobre aquela situação e então os agentes acabaram por encontrar uma tia da menina, que estava tão assustada que nem comunicava com ninguém.

Brane relatou ainda ter visto os responsáveis pelas instalações a repreenderem um grupo de crianças de cinco anos por estarem a brincar na cela, dizendo-lhes para se acalmarem.

O Governo está mesmo a retirar as crianças dos  pais, deixando-as em condições impróprias”, concluiu.

Melania pede "coração"

Esta medida da administração de Trump tem merecido muitas críticas e esta segunda-feira foi a vez de Melania Trump também a criticar. 

Num comunicado enviado à imprensa, Melania Trump diz que não gosta de ver as crianças a serem separadas das famílias, mas nunca mencionou o nome do marido.

A senhora Trump não gosta de ver crianças separadas das suas famílias e espera que ambos os partidos se consigam entender finalmente, para que se chegue a uma reforma bem-sucedida [das leis] da imigração", pode ler-se.

A Primeira-Dama pediu ainda coração aos políticos: "Precisamos de ter um país que segue todas as leis, mas também um país que governa com o coração".

Para além de Melania, uma ex-Primeira Dama, Laura Bush, criticou a "Tolerância Zero". No The Washington Post escreveu que a política é “cruel” e “imoral" e aponta o dedo a Trump-

/ LCM