Os EUA anunciaram, terça-feira, sanções contra cinco políticos venezuelanos, que acusa de serem aliados “chave” do regime do Presidente, Nicolás Maduro, para “minarem a democracia” e subverterem as eleições legislativas previstas para 6 de dezembro.

As sanções foram anunciadas pelo secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin.

Dois dos cinco sancionados, Miguel António José Ponente Parra e Guillermo António Luces Osório, foram nomeados recentemente pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ) como secretários-gerais dos partidos opositores Primeiro Justiça e Vontade Popular, uma decisão questionada pela direção desses partidos.

Foi ainda sancionado José Bernabé Gutiérrez Parra, nomeado presidente do partido opositor Ação Democrática e Chaim Jose Bucaran Paraguan, que pediu ao STJ que suspendesse a direção do partido opositor Um Novo Tempo.

O mesmo aconteceu a Williams José Benavides Rondón, que é deputado suplente do Partido Socialista Unido da Venezuela (o partido do Governo) e que foi também nomeado presidente do partido Tupamaro.

Estas pessoas, atuaram como parte de um esquema mais amplo para manipular as eleições parlamentares, ao colocar o controlo dos partidos da oposição venezuelana nas mãos de políticos afiliados ao regime de Nicolás Maduro, minando qualquer confronto da oposição credível”, explica-se num comunicado do Departamento do Tesouro.

Todos os bens e ativos dos sancionados sob jurisdição dos EUA ficam bloqueados e os cidadãos e entidades norte-americanas ficam proibidos de efetuar transações com estes indivíduos.

A Venezuela já questionou as sanções aplicadas pelo Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA, que diz serem “absurdas e ilegais”.

A maior parte da oposição rompeu os seus planos golpistas  (…) as sanções absurdas e ilegais não vão deter a nossa democracia”, escreveu o ministro venezuelano de Relações Exteriores, Jorge Arreaza, na sua conta na rede social Twitter.

As próximas eleições legislativas na Venezuela estão marcadas para 06 de dezembro, data em que o Governo venezuelano espera renovar a Assembleia Nacional, onde a oposição é maioritária e presidida pelo opositor Juan Guaidó.

No entanto, 37 organizações, entre elas os quatro maiores partidos da oposição (Ação Democrática, Primeiro Justiça, Vontade Popular e Um Novo Tempo) anunciaram que não vão participar nas legislativas, que antecipam ser “uma fraude”.

Desde junho, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela suspendeu a direção dos partidos opositores Vontade Popular, Primeiro Justiça, Ação Democrática e Tupamaro , bem como de vários partidos afetos ao regime, entre eles Pátria para Todos, e ordenou que fossem reestruturados, nomeando direções provisórias para esses partidos.

A decisão foi classificada pela oposição como uma manobra de preparação “para uma nova farsa eleitoral”, em que o regime decidirá quem preside aos partidos nas próximas eleições.

A Venezuela tem, desde janeiro, dois parlamentos parcialmente reconhecidos, um de maioria opositora, liderado por Juan Guaidó, e um pró-regime, liderado por Luís Parra, que foi expulso do partido opositor Primeiro Justiça, mas que continua a dizer que é da oposição.

A crise política, económica e social na Venezuela agravou-se desde janeiro de 2019, quando o presidente do parlamento, o opositor Juan Guaidó, jurou publicamente assumir as funções de Presidente interino do país até afastar Nicolás Maduro do poder, convocar um Governo de transição e eleições livres no país.

/ CE