Uma das testemunhas chaves do processo movido pelo Partido Republicano, de Donald Trump, sobre fraude eleitoral nas eleições dos Estados Unidos voltou agora com a sua palavra atrás. Richard Hopkins, funcionário da USPS (serviço de correios norte-americano através do qual foram enviados milhões de votos antecipados), disse, num primeiro depoimento, que tinha havido uma adulteração em alguns dos boletins.

Segundo a testemunha, que trabalha nos serviços da cidade de Erie, no estado da Pensilvânia, um dos seus supervisores deu ordens aos trabalhadores para que alterassem as datas dos boletins que tinham chegado mais tarde. Agora, e durante uma audiência com o inspetor-geral dos USPS, o homem retratou-se das declarações iniciais, que tinham sido feitas sobre compromisso de honra.

Os novos desenvolvimentos foram revelados pelo Comité de Supervisão e Reforma do Partido Democrata, que cita os investigadores da USPS.

Os investigadores terão dito ao comité que Richard Hopkins "não revelou a razão de ter assinado uma declaração falsa".

Em declarações ao jornal Washington Post, o funcionário dos correios já tinha admitido que o testemunho inicial tinha sido alterado.

Depois de ter sido dada a entrada da declaração sob compromisso de honra, a senadora Lindsay Graham, que representa o estado da Carolina do Norte e dirige o comité judiciário do Senado, pediu que fosse feita uma investigação federal.

A investigação federal foi pedida pelo Procurador-Geral dos Estados Unidos esta terça-feira, que pediu aos procuradores de cada estado que investigassem as alegações de fraude.

Em jeito de reação, o diretor da Secção de Crimes Eleitorais, Richard Pilger, demitiu-se, afirmando que a instituição tinha uma política de só intervir em atos eleitorais e realizar investigações depois de os sufrágios serem certificados.

O retratamento de Richard Hopkins surge numa altura em que a campanha de Donald Trump continua a mover processos em estados como a Pensilvânia, a Georgia, o Nevada e  o Arizona, onde Joe Biden venceu por curtas margens, sendo que nos dois primeiros casos acabou por dar a volta precisamente após a contagem dos boletins de voto antecipados.

Apesar de todas as alegações e das inúmeras frentes de batalha, várias críticas têm sido feitas ao Partido Republicano com base na falta de evidências para a apresentação de alegações de fraude eleitoral.

Um dos processos legais que deu entrada na Pensilvânia pede ao Supremo Tribunal dos Estados Unidos que sejam rejeitados todos os boletins de voto com selo postal do dia das eleições, sendo que alguns deles só chegaram três dias mais tarde. Neste caso em concreto, o Supremo Tribunal aceitou, tal como em outros estados, que fossem contabilizados os votos que chegaram mais tarde.

Outra das alegações do Partido Republicano é que os seus observadores eleitorais foram impedidos de monitorizar a contagem dos votos.

Além de não conceder a vitória a Joe Biden, Donald Trump insiste em clamar-se o vencedor das eleições, continuando a distinguir entre votos "legais" e "ilegais", sendo os últimos milhões de votos por correspondência.

Com aparentes dificuldades em arranjar provas, muitos responsáveis republicanos estão a tentar trazer o povo para testemunhar. Um dos casos aconteceu no estado do Texas, onde o vice-governador, Dan Patrick, ofereceu até um milhão de dólares (cerca de 846 mil euros) para incentivar as pessoas a apresentarem provas de irregularidades.

Entretanto, várias personalidades da política norte-americana já se apressaram a dar os parabéns ao presidente eleito Joe Biden e a pedir a Donald Trump que conceda a derrota. Algumas das figuras mais proeminentes são Mitt Romney e George W. Bush, antigo candidato presidencial e ex-presidente pelo Partido Republicano, respetivamente.

Mas o próprio Joe Biden tem lançado duras críticas em direção ao ainda presidente norte-americano, dizendo que é "embaraçoso" que não aceite os resultados eleitorais.

António Guimarães