A família de Neil Armstrong recebeu 6 milhões de dólares do hospital onde o astronauta morreu, como parte de um acordo para a não divulgação de acusações de negligência médica.

O primeiro homem a pisar o solo lunar morreu em 2012, duas semanas após uma cirurgia ao coração. De acordo com o testemunho da sua mulher, Armstrong mostrou-se "incrivelmente resiliente" após a operação e passava dias a andar pelos corredores. Isto até serem retirados os fios para colocar um pacemaker temporário. O antigo astronauta acabou por morrer das complicações causadas por uma hemorragia em redor do coração, que se seguiu à realização deste procedimento, no dia 25 de agosto.

Os dois filhos de Neil Armstrong acusaram o Hospital Mercy Health-Fairfield de incompetência no pós-operatório, que terá levado à morte do astronauta. O hospital não assumiu a culpa, mas, de acordo com o New York Times, pagou secretamente 6 milhões de euros à família para que o diferendo fosse resolvido em privado, evitando publicidade ruinosa para a instituição.

Vários especialistas viriam, mais tarde, a questionar a altura escolhida pelos médicos para a realização da cirurgia e, ainda, as decisões tomadas após a hemorragia. Num parecer requerido pela família, Joseph Bavaria, médico e professor de cirurgia cardiotorácica da Universidade da Pensilvânia, apontou as decisões como um grande erro dos clínicos de Fairfield. No entanto, as opiniões de outros especialistas consultados no processo dividem-se, com alguns a concordar com a visão de Bavaria e outros a admitir que compreendem a opção dos médicos de Armstrong.

A disputa entre a família e o hospital tornou-se pública dias depois do 50º aniversário da chegada de Armstrong à lua, a 21 de Julho de 1969, e foi confirmada pelo New York Times, que está em posse de documentos relativos ao acordo entre as duas partes, recebidos de forma anónima.

Para manter o acordo – e, sobretudo, a identidade de Niel Armstrong – em segredo, o hospital usou um nome falso para o astronauta. Ao consultar especialistas no âmbito das alegações de negligência da família de Armstrong, a instituição escondeu a identidade do primeiro homem a pisar a lua chamando-lhe Ned Anderson.

A advogada do hospital terá até contactado a advogada da família, Wendy Armstrong, nora de Neil Armstrong, para saber se os filhos do astronauta tencionavam revelar a acusação de negligência médica num evento público de celebração do 45º aniversário da chegada à lua. Em resposta, Wendy Armstrong disse que a informação em causa poderia vir a ser muito lucrativa para os filhos do astronauta, caso surgisse a possibilidade de fazer um filme ou um livro sobre o sucedido.