O Ministério dos Negócios Estrangeiros francês chamou esta sextafeira para consultas os seus embaixadores em Camberra e Washington, qualificando de ato de "gravidade excecional" a quebra pela Austrália do contrato​​​​​​​ para compra de 12 submarinos franceses.  

A pedido do Presidente da República, decidi chamar imediatamente a Paris para consultas os nossos dois embaixadores nos Estados Unidos e na Austrália", anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Jean-Yves Le Drian, em comunicado enviado às redações.​​​​​​​

 

Esta decisão excecional é justificada pela gravidade excecional dos anúncios feitos pela Austrália e pelos Estados Unidos no dia 15 de setembro", adiantou.

Camberra comprometeu-se em 2016 a comprar 12 submarinos à empresa francesa Naval Group por um valor de 34 mil milhões de euros, naquele que foi apelidado o "contrato do século".

Na quarta-feira, o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, anunciou o fim deste contrato, entregando a encomenda aos Estados Unidos.​​​​​​​

Na altura, o ministro Jean-Yves Le Drian disse que estava "zangado" e que era "um golpe baixo" por parte da Austrália.

Os australianos terão justificado esta mudança por preferirem agora submarinos a propulsão nuclear, uma tecnologia que o Naval Group não tem capacidade de produzir. No entanto, para a maioria dos observadores, é uma questão política e geoestratégica, com a Austrália a aproximar-se dos parceiros anglófonos.

O Naval Group, que tem uma participação de 62% do Estado francês, já disse que vai pedir uma indemnização, para a qual ainda não há uma estimativa de valor.

Clement Beaune, secretário de Estado dos Assuntos Europeus francês, disse hoje que duvida da confiança que se pode depositar na Austrália, depois do cancelamento da encomenda dos submarinos

O governante francês referiu-se às negociações em curso entre a União Europeia e a Austrália para a conclusão de um acordo comercial de forma a facilitar as trocas entre os dois continentes, mesmo se a Comissão Europeia, mandatada pelos 27 para levar a cabo estas negociações, diz que as duas situações não estavam ligadas.

Nas relações internacionais, o que conta não são as boas intenções, mas a palavra dos países. A assinatura de um contrato é uma coisa importante e válida. Se não temos confiança neste parceiro, não podemos avançar", explicou Beaune.

A partir de janeiro, a França assume a presidência da União Europeia e caberá ao país definir as prioridades da organização até junho.

Para além do contrato para a compra de material de Defesa, o contrato com a França incluía também uma parceria estratégia entre os dois países que deveria durar 50 anos.

Agência Lusa / CE