A empresa tecnológica chinesa Huawei anunciou esta quinta-feira que vai processar o Governo dos Estados Unidos por ter proibido a compra dos equipamentos de telecomunicações pelos serviços públicos.

O gigante mundial de 'smartphones' [telemóveis inteligentes] abre, assim, uma frente judicial contra as suspeitas de alegada espionagem avançadas por Washington.

A Huawei indicou que o processo foi interposto em Plano, no estado do Texas (sul dos EUA), e visa a proibição imposta a diferentes serviços norte-americanos sobre a compra de equipamentos e serviços do grupo chinês, ou de trabalhar com empresas terceiras que sejam clientes.

O Congresso dos Estados Unidos nunca foi capaz de fornecer qualquer prova que justifique as restrições aos produtos da Huawei. Somos forçados a tomar esta ação legal como último recurso", disse Guo Ping, um dos responsáveis da empresa Guo Ping.

Em conferência de imprensa, na sede do grupo, em Shenzhen, no sul da China, Guo também acusou os Estados Unidos de 'piratear' servidores Huawei e de roubar 'e-mails'.

Por outro lado, "se esta lei for retirada, como devia ser, a Huawei poderá levar para os Estados Unidos as tecnologias mais avançadas e ajudar o país a construir melhor as redes de 5G", a quinta geração de tecnologia móvel, sublinhou.

Guo adiantou que o grupo chinês ia pedir o pagamento de compensações e juros pelas "restrições inconstitucionais" que visam a Huawei.

O responsável acusou também os Estados Unidos de terem pirateado servidores da empresa e de terem roubado correios eletrónicos.

A Huawei, a segunda maior empresa de 'smartphones' do mundo, começou em 2019 uma agressiva campanha de comunicação para combater as acusações de Washington de que os equipamentos de telecomunicações do grupo podiam ser usados por Pequim para espiar outros países.

Os Estados Unidos proibiram a empresa, apesar de ser líder mundial neste campo, de participar na implantação da rede 5G em solo norte-americano. Ao mesmo tempo, estão a pressionar os aliados ocidentais a tomarem medidas semelhantes.

Na ofensiva contra a Huawei, Washington pretende também julgar a diretora financeira, Meng Wanzhou, por violação das sanções contra o Irão.

Detida no início de dezembro no Canadá e atualmente em liberdade condicional vigiada, Meng é também filha do fundador do grupo Ren Zhengfei, de 74 anos.

A próxima audiência do processo de Meng está marcada para 08 de maio em Vancouver, onde foi detida durante uma escala entre dois voos.

Entretanto, dois canadianos foram detidos na China, por suspeita de terem posto em perigo a segurança nacional chinesa. A ação foi considerada por vários países ocidentais como uma medida de retaliação.

O domínio da Huawei nas telecomunicações e na implantação da rede 5G tem suscitado crescentes preocupações nos Estados Unidos, não só devido ao passado do fundador da empresa, um ex-engenheiro do exército chinês, como devido a uma lei que impõe aos grupos com sede social na China a prestar ajuda técnica aos serviços de informações.

Os Estados Unidos receiam que Pequim possa usar "backdoors", portas de acesso aos equipamentos que podem, potencialmente, permitir espiar comunicações.