Um juiz norte-americano decidiu favorecer um jovem acusado de violação só porque o rapaz era proveniente de “boas famílias”.

O adolescente, de 16 anos, filmou-se a violar uma rapariga com a mesma idade, embriagada, numa garagem. O rapaz enviou o vídeo para os amigos com a legenda “quando a tua primeira vez é uma violação”.

Tudo aconteceu em Nova Jérsia, numa festa de pijama, em 2017.

Na altura, os procuradores do condado de Monmouth pediram que o jovem fosse julgado como um adulto por vários crimes, incluindo o crime de agressão sexual agravada em primeiro grau.

Mas um juiz de um Tribunal de Família de Nova Jérsia negou este pedido, justificando a decisão com o facto de o rapaz ser escuteiro, proveniente “de boas famílias” e que podia vir a estudar num “bom colégio” graças à suas "notas excelentes".

O juiz James Troiano, de 70 anos, sugeriu que as ações do rapaz não encaixam no “caso tradicional de violação” e também se mostrou preocupado porque o procurador não explicou à vítima “o efeito devastador” que o caso teria na vida do acusado se este fosse julgado como um adulto.

O caso é agora notícia porque, no mês passado, um Tribunal de Apelação, que decide sobre recursos, criticou Troiano pela sua atitude de parcialidade ao beneficiar este e outros “jovens privilegiados”.

O Tribunal da Apelação estuda agora a possibilidade o caso ser transferido para “um grande júri” e de o jovem ser julgado como um adulto, anulando a decisão do juiz.

O estado de Nova Jérsia permite que os jovens, maiores de 15 anos, sejam julgados como adultos quando acusados de crimes graves.