Morreu esta quarta-feira Bernie Madoff, autor de uma das maiores e mais conhecidas fraudes financeiras de sempre, numa prisão federal da Carolina do Norte, onde cumpria uma pena de 150 anos. Terá morrido de causas naturais.

No último ano, os advogados do antigo financeiro deram entrada a um processo com o intuito de que o seu cliente fosse libertado por causa da pandemia da covid-19, defendendo que ele sofria de uma doença renal em estado terminal e de outras condições clínicas. Apesar disso, o pedido foi recusado.

Em dezembro de 2008 foi detido pelo FBI sob acusações de fraude. Mais tarde, acabaria por confessar ser o autor do maior esquema de Ponzi da história, admitindo ter enganado centenas de clientes em investimentos fraudulentos, com os quais terá lucrado milhares de milhões de dólares ao longo de décadas. 

O tribunal acabou por nomear um mandatário fiduciário que recuperou mais de 13 mil milhões de dólares (cerca de 11 mil milhões de euros) dos cerca de 17,5 mil milhões de dólares (perto de 14,5 mil milhões de dólares) que se acredita terem sido investidos nos negócios fraudulentos. À altura da detenção, falsos recibos de contas bancárias garantiam aos clientes que tinham mais de 60 mil milhões de dólares (mais de 50 mil milhões de euros) no banco.

O esquema de Madoff, conhecido como um esquema em pirâmide (ou esquema de ponzi), é uma operação financeira que envolve a promessa de juros anormalmente altos a quem “investir” no esquema. No entanto, o pagamento desses elevados dividendos está dependente da entrada de novos investidores, que, sem saber, acabam por pagar os “lucros” dos investidores mais antigos. A partir do momento em que deixam de entrar novos clientes, a bolha rebenta e a vasta maioria dos investidores acaba por perder todo o seu dinheiro.

Durante várias décadas, este esquema permitiu a Madoff gozar de um estatuto de superestrela no mundo financeiro, criando o mito de que possuía “o toque de Midas” e que a sua carteira de investimentos era impermeável em relação a flutuações no mercado. Essa “aura” permitiu-lhe ganhar a confiança de dezenas de clientes com muito dinheiro para investir – entre eles algumas celebridades, como Steven Spielberg ou Kevin Bacon.

No entanto, a sorte do homem forte da alta finança acabou com a crise do subprime (também conhecida como crise imobliária), que abalou as estruturas financeiras nos Estados Unidos da América e teve um impacto tremendo na economia mundial, entre 2007 e 2008. As perdas registadas pelo fundo de Madoff, aliada à situação precária em que se encontrava a banca, levaram a que não conseguisse assegurar as suas obrigações financeiras, deixando exposta a natureza do esquema que organizou durante anos.

A fraude, montada para escolher a dedo um grupo muito restrito de investidores, pagava entre 10 a 16% ao ano de forma consistente. Ao todo, estima-se que a sua firma, a Bernard L. Madoff Investment Securities, tenha defraudado perto de 37 mil pessoas em 136 países ao longo de quatro décadas. Clientes como a Royal Dutch Shell, a Fairfield Greenwich Group, o Banco Santander, o BBVA, BNP Paribas, terão sido lesados milhares de milhões de euros.