Os países signatários do acordo nuclear com o Irão disseram hoje que irão trabalhar juntos para garantir que os Estados Unidos regressam ao tratado, aproveitando a promessa nesse sentido do Presidente eleito norte-americano, Joe Biden.

Os ministros reconheceram a perspetiva de um regresso dos EUA ao Plano de Ação Conjunto Global e enfatizaram a disposição para o abordar positivamente num esforço conjunto”, disseram hoje, em comunicado, os países que permanecem no acordo nuclear iraniano (Alemanha, França, Reino Unido, China, Rússia, Irão e União Europeia), após uma videoconferência.

A reunião – a primeira ao nível de ministros dos Negócios Estrangeiros há mais de um ano – ocorreu quando o acordo se encontra numa “espiral descendente”, nas palavras do chefe da diplomacia alemã, Heiko Maas, referindo-se à pressão exercida pelos Estados Unidos sobre as violações do Irão ao tratado de que Washington saiu unilateralmente, em 2018.

Estamos hoje numa encruzilhada”, disse Maas aos jornalistas, no final da videoconferência, acrescentando que a sobrevivência ou não do tratado será decidida nas próximas semanas e meses.

Há dois anos que os países que permaneceram no acordo com o Irão tentam evitar que ele entre em colapso e manifestaram esperança no regresso ao tratado dos Estados Unidos após a eleição do democrata Joe Biden, que tomará posse como Presidente no dia 20 de janeiro e que se comprometeu com uma tentativa de retorno, para travar as intenções bélicas de Teerão.

De acordo com o mais recente relatório da Agência Internacional de Energia Atómica (AEIA), a República Islâmica armazenou já 2.249 quilogramas de urânio enriquecido, o que excede em muito o limite de 300 quilogramas estabelecido pelo acordo internacional.

Na videoconferência hoje realizada, os ministros dos Negócios Estrangeiros “discutiram a necessidade de enfrentar os desafios à implementação” do acordo, “incluindo compromissos de não proliferação nuclear e levantamento de sanções”, segundo o comunicado.

O chefe da diplomacia britânica, Dominic Raab, que também participou na reunião, disse que deixou “absolutamente claro que o Irão não deve implementar as expansões anunciadas do seu plano nuclear”.

Os chefes das diplomacias também reconheceram que a AEIA é a única organização internacional “imparcial e independente” para verificar os níveis de urânio enriquecido armazenado pelo Irão.

/ BC