O ministro dos Negócios Estrangeiros saudita, Faisal bin Farhan Al-Saud, defendeu este sábado que os países do Golfo devem ser consultados se o acordo nuclear com o Irão for reativado pelos Estados Unidos.

O que esperamos acima de tudo é que nós e os nossos outros amigos na região sejamos plenamente consultados sobre as negociações com o Irão", disse Faisal bin Farhan Al-Saud, citado pela agência de notícias France Presse.

Para o chefe da diplomacia saudita, que falou à AFP à margem de uma conferência sobre segurança em Manama, no Bahrein, esta será a "única forma de chegar a um acordo duradouro".

Penso que vimos que devido às consequências do JCPOA (Acordo de Viena sobre a questão nuclear do Irão), o não envolvimento dos países da região levará a uma acumulação de desconfiança e negligência em questões de real preocupação e que têm um efeito real na segurança regional", salientou o ministro saudita.

Questionado sobre se a administração do presidente eleito dos Estados Unidos da América, Joe Biden, já tinha estabelecido contactos com vista a reativar o acordo com o Irão, o ministro respondeu que negativamente, mas reafirmou a disponibilidade da Arábia Saudita para "estabelecer contactos com a administração Biden assim que esta tomar posse".

Estamos convencidos de que não só o novo governo Biden, mas também os nossos outros parceiros, incluindo os europeus, reconheceram plenamente a necessidade de envolver todas as partes regionais numa resolução", apontou.

Joe Biden confirmou na quarta-feira que é favorável ao regresso do seu país ao acordo se as autoridades iranianas regressassem ao "cumprimento rigoroso" dos limites impostos ao seu programa nuclear, antes das negociações sobre as outras ameaças colocadas por Teerão.

O Presidente cessante dos EUA, Donald Trump, que deixará a Casa Branca em janeiro abandonou em 2018 o acordo celebrado pelos Estados Unidos, China, Rússia, Alemanha, França e Reino Unido com o Irão para impedir este país de adquirir armas nucleares, julgando-o insuficiente para conter o que considerou o comportamento "desestabilizador" iraniano.

Na sequência, restabeleceu e depois reforçou as sanções norte-americanas ao Irão, que tinham sido levantadas em 2015.

O recuo desagradou aos aliados europeus de Washington, que dizem querer salvar o acordo, mas Teerão acusa-os de nada terem feito para ajudar a contornar as sanções norte-americanas.

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