A invasão ao Capitólio dos Estados Unidos já começou a trazer as primeiras consequências, e muitos dos protagonistas estão agora a ser procurados pela polícia e a ser visados pelos seus locais de trabalho. É o caso de um homem que trabalhava na gráfica Navistar Direct Marketing do estado do Maryland, que foi fotografado a andar nos corredores do edifício com um objeto alusivo à empresa.

A gráfica acabou por ver as imagens nas redes sociais, e o homem foi despedido no dia seguinte. Esta mesma pessoa acaba por aparecer em muitas fotografias de agência, como é o caso desta. É o homem que está à direita da imagem.

Segundo a revista Forbes, a empresa acabou mesmo por contactar o FBI.

Outras pessoas estão a enfrentar repercussões semelhantes nos locais de trabalho. Muitos empresários estão a ser criticados nas redes sociais e muitos dos seus estabelecimentos a ser boicotados. Na causa da polémica está o facto de empregarem funcionários que participaram na referida manifestação.

A Navistar Direct Marketing recusou-se a revelar o nome do funcionário, mas disse que não pode oferecer emprego a pessoas que "demonstram uma conduta perigosa que coloca em perigo a saúde e a segurança dos outros".

Muitas outras empresas estão a seguir o mesmo caminho, despedindo os funcionários ou suspendendo-os do exercício das suas funções.

A invasão ao Congresso norte-americano é um crime, pelo que muitos dos manifestantes podem vir a ser responsabilizados pela justiça. Mais de 90 pessoas foram detidas, e as autoridades estão a utilizar as várias imagens para identificar muitas outras pessoas.

Um dos manifestantes já identificados é Jake Angeli, um membro do QAnon (grupo que propaga teorias da conspiração e que tem sido conotado com Donald Trump).

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Já este sábado foi noticiado que Jake Angeli acabou por ser deitod pelas autoridades.

O caso da empresa Cogensia foi ainda mais grave. Bradley Rukstales, diretor-executivo da empresa sediada em Chicago, foi apanhado no meio da manifestação. A companhia acabou por despedi-lo.

Esta decisão foi tomada porque Rukstales teve ações inconsistentes com os valores da Cogensia", disse o novo diretor-executivo da empresa.

Destino semelhante teve uma funcionária de uma escola de Cleveland e também um bombeiro de Orlando.

A agência Associated Press lembra que as empresas norte-americanas têm o direito de despedir funcionários por atenderem a protestos com base na primeira emenda da Constituição.

Quanto aos detidos, muitos enfrentam acusações nos tribunais. Há ainda muitos manifestantes que estão a ser procurados pelas autoridades, que procuram levá-los à justiça.

Também este sábado, um legislador do estado da Virgínia Ocidental acabou por se demitir depois de ter divulgado imagens em direto junto dos manifestantes. O republicano Derrick Evans informou o governador do estado que a sua demissão tinha efeito imediato.

A invasão ao Congresso dos Estados Unidos ocorreu durante a audiência de confirmação da eleição de Joe Biden para presidente. Dos protestos resultaram cinco mortos, quatro deles manifestantes.

António Guimarães