A polícia de Rochester, no estado de Nova Iorque, EUA, prendeu o suspeito de violação e homicídio de uma adolescente de 14 anos mais de três décadas depois do crime. 

Wendy Jerome foi vista pela família pela última vez a 22 de novembro de 1984. Era dia de Ação de Graças e saiu de casa pelas 19:00 pra entrar um cartão de aniversário a uma amiga que morava perto, com ordem para regressar até às 20:00. Quando não voltou, os pais alertaram as autoridades. Menos de três horas depois, o corpo foi descoberto por um transeunte atrás de uma escola próxima da casa da família. Wendy tinha sido violada e agredida até à morte. 

O caso acabou por ser arquivado por falta de pistas mas as autoridades não desistiram: na semana passada, Timothy L. Williams, de 56 anos, foi detido na cidade de Melbourne, estado da Florida, e acusado do homicídio de Wendy, porque já expirou o prazo durante o qual podia ser responsabilizado pela agressão sexual. Tinham passado exatamente 36 anos do crime. 

Nunca pensei que fosse ver este dia e agora ele chegou", disse a mãe de Wendy, citada pelo The New York Times, em conferência de imprensa. "Só queria que o meu marido estivesse vivo para ver isto. Ele morreu em 2011 e está lá em cima com ela, a sorrir e a dizer: 'Acabou, finalmente'", desabafou Marlene Jerome. 

O suspeito tinha 20 anos na altura do crime e, segundo as autoridades, ele e a vítima não se conheciam. Williams vai agora ser transferido da Florida para Rochester. Sabe-se que a polícia recorreu à mais sofisticada tecnologia em testes de ADN para chegar a um suspeito.

A primeira tentativa  de usar ADN para encontrar o culpado foi feita em 2000, explicou o capitão Frank Umbrino, da polícia de Rochester. Mas a amostra de sémen recolhida no local do crime não foi compatível com nenhuma disponível na base de dados da polícia.  Em 2016, os investigadores encontraram, segundo o New York Times, "mais objetos de potencial prova" que podiam ser sujeitos a testes de ADN, mas o estado só viria a aprovar essa mesma análise em abril de 2019. 

Os resultados, que chegaram em julho deste ano, permitiram fazer uma lista de suspeitos, que acabou por ser reduzida com recurso aos relatórios e provas obtidas nos anos 90. Os investigadores conseguiram eventualmente uma amostra de ADN do principal suspeito, que se veio a revelar compatível com a já obtida, 36 anos depois. 

Bárbara Cruz