A China realizou exercícios militares com fogo real na costa sudeste, noticiou hoje a imprensa oficial, num período de renovadas tensões entre Pequim e Taipé devido ao apoio dos Estados Unidos ao governo da ilha.

O Exército de Libertação Popular indicou que os exercícios envolveram a coordenação de vários tipos de helicópteros militares, que detetaram e atacaram alvos marítimos. Segundo a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua, os exercícios terminaram às 23:00 (15:00 em Lisboa).

Não é claro se os exercícios são os mesmos que a China anunciou na semana passada para o estreito de Taiwan, no entanto, a televisão estatal chinesa CCTV informou que os exercícios anteriormente anunciados são dirigidos às forças independentistas de Taiwan, com a seguinte manchete no seu portal: "Não digam que não foram avisados!".

O porta-voz do Ministério da Defesa de Taiwan, Chen Chung-chi, desvalorizou os exercícios, e afirmou que a China está a exagerar a escala das suas atividades para criar ansiedade entre a população da ilha.

"O Partido Comunista Chinês jogou com intimidação verbal barata e fanfarronice através da imprensa estatal para criar pânico e mal-estar", afirmou Chen, descrevendo os exercícios como regulares.

O Ministério da Defesa chinês não avançou pormenores.

Na semana passada, os exercícios foram anunciados pelas autoridades da província de Fujian, encarregadas da segurança marítima, depois de o Presidente chinês, Xi Jinping, ter supervisionado a maior revista militar de sempre da marinha chinesa, que envolveu 48 navios, 76 helicópteros, aviões, bombardeiros e mais de dez mil soldados.

Taiwan, a ilha onde se refugiou o antigo Governo chinês depois de o Partido Comunista tomar o poder no continente, em 1949, assume-se como República da China, mas Pequim considera-a uma província chinesa a reunificar e ameaça usar a força caso declare independência.

Os Estados Unidos são o aliado mais importante da ilha e o principal fornecedor de armas, apesar de os dois lados não terem relações diplomáticas, desde 1979.

Funcionários chineses criticaram recentemente a decisão do Presidente norte-americano, Donald Trump, de aprovar uma lei para reforçar os laços com a ilha.

O "Taiwan Travel Act", aprovado no Congresso dos Estados Unidos, encoraja altos representantes norte-americanos a viajar para Taiwan para encontros com os homólogos, assim como o inverso.

Pequim considerou que a lei "viola gravemente" o princípio de uma só China e envia um "muito mau sinal às forças separatistas pró-independência de Taiwan".

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