A polémica instalou-se no fim de semana: o republicano John McCain não quer que Donald Trump vá ao seu funeral. O desejo expresso pelo senador do Arizona, que luta contra o cancro, parece ter caído mal entre os republicanos e há já quem peça a McCain que reconsidere a sua vontade.

John McCain, de 81 anos, que foi veterano de guerra no Vietname e candidato presidencial pelos republicanos em 2008 - tendo perdido para Barack Obama -, foi diagnosticado com uma forma agressiva de cancro no cérebro há quase um ano.

A doença é de tal forma grave que, de acordo com a imprensa norte-americana, a família do senador já começou os preparativos para o seu funeral. Uma cerimónia que, apesar de ainda não ter acontecido, já está a dar que falar em Washington.

É que, segundo várias fontes citadas pela imprensa norte-americana, a família de McCain pediu à Casa Branca para que seja o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, a comparecer no funeral em vez do presidente, Donald Trump.

Ainda de acordo com as mesmas fontes, McCain quer que o elogio fúnebre seja feito pelo democrata Barack Obama e pelo republicano George W. Bush.

O desejo de McCain terá caído mal entre os republicanos e já está a gerar críticas. O senador do Utah Orrin Hatch, que é o mais antigo senador do Partido Republicano, considerou que o desejo é “ridículo”.

Acho que é ridículo. Trump é o presidente dos Estados Unidos. É um homem muito bom. Mas é com o John. Acho que os seus desejos sobre quem comparece ao funeral devem ser cumpridos”, declarou Hatch.

Ainda que polémica, a vontade de McCain não causa estranheza, dadas as muitas divergências entre o senador do Arizona e o presidente norte-americano.

McCain, recorde-se votou contra o diploma apresentado pelos republicanos para substituir o programa de saúde que ficou conhecido como Obamacare. Uma oposição que Trump descreveu como “uma coisa horrível”.

O senador também se opôs à política anti-imigração do presidente dos Estados Unidos. De resto, o republicano prepara-se para lançar um novo livro,  no qual, segundo o New York Times, tece duras criticas ao líder norte-americano.

Trump, por sua vez, gozou com os anos em que McCain foi prisioneiro de guerra no Vietname.

McCain não comparece ao Senado desde dezembro. É na sua casa no Arizona que faz os tratamentos necessários para a doença e vai recebendo a visita de amigos como o antigo vice-presidente  e democrata Joe Biden e o senador do Arizona Jeff Flake.

Sofia Santana