A polícia de Salt Lake City, nos Estados Unidos revelou imagens da intervenção policial que culminou com a polícia a disparar onze vezes contra um rapaz diagnosticado com autismo.

O vídeo mostra agentes da polícia de Salt Lake City, nos Estados Unidos a perseguirem e a gritarem com Linden Cameron, exigindo que se deitasse. O menor acaba por colapsar no chão após um polícia disparar onze balas de borracha contra ele.

Nas imagens, é possível ouvir ainda os agentes a afirmarem que tinham de proceder como se o rapaz estivesse armado, embora em nenhum ponto do vídeo seja possível ver Linden na posse de uma arma de fogo.

A esquadra de Salt Lake City foi obrigada a divulgar as imagens do incidente devido a uma norma que obriga a que as imagens captadas durante tiroteios sejam disponibilizadas no prazo de dez dias.

Depois da intervenção policial, o advogado da família da vítima adiantou que a mesma teve de ser hospitalizada com vários ossos partidos e órgãos perfurados.

Golda Barton, a mãe do rapaz, avisou a polícia no dia 5 de setembro de que o filho tinha uma arma e que ameaçou disparar contra um colega de trabalho e partir vidros da casa. No entanto, Barton vincou que achava que o rapaz estava na posse de uma pistola de ar comprimido, ou de uma réplica.

 

Golda Barton sublinhou que o comportamento do filho foi despoletado pela chegada da polícia.

Ele viu o crachá e imediatamente pensou que o iam matar. Então, achou que se tinha de defender”, disse a mãe, justificando a fuga de Linden da polícia.

Numa altura em que as manifestações contra a violência policial agudizaram, especialmente após a morte de George Floyd, o tiroteio levanta questões sobre a atitude da polícia quando confrontada com pessoas diagnosticadas com doenças mentais.

O que quer que tenha acontecido, estamos a falar de um rapaz desarmado de 13 anos. A polícia foi chamada para uma situação de doença mental, não para um ato criminoso”, frisou o advogado da família Zach Weyher. “Uma criança está numa cama de hospital. Tem de existir uma resposta melhor”.

O autarca de Salt Lake City, Erin Mendenhall pediu esta segunda-feira uma investigação profunda e rápida ao incidente e admitiu estar “profundamente desolado”.