Seis anos depois de o estado norte-americano do Oklahoma ter interrompido a administração de injeções letais, a prática voltou, mas a polémica não desapareceu.

John Marion Grant foi executado na penitenciária estadual, mas a sua morte levanta dúvidas em relação à dosagem utilizada nas drogas letais. Assim que recebeu a primeira de três injeções, o homem, de 60 anos, começou a ter convulsões e a vomitar. Segundo a agência Associated Press, médicos com conhecimento do caso concordam que se trata de um caso de uma overdose, tendo sido administrada uma dose muito maior que aquilo que está padronizado. Para um dos médicos, trata-se mesmo de uma situação "insana".

O homem começou a sentir-se mal assim que recebeu o sedativo midazolam. A essa seguiram-se o vecurónio, um paralítico, e o cloreto de potássio, que para o coração.

John Marion Grant foi o primeiro condenado a sofrer a pena capital naquela que era uma das câmaras de execução mais ocupadas do país, até que uma série de injeções letais defeituosas, em 2014 e 2015, levou a uma moratória das sentenças.

O condenado cumpria 130 anos de prisão por vários assaltos à mão armada e foi sentenciado à morte em 1999, após testemunhas afirmarem que arrastou uma funcionária do refeitório da prisão para uma arrecadação e a esfaqueou 16 vezes com uma faca artesanal.

Guardas da prisão de Oklahoma anunciaram recentemente que foi selecionado um fornecedor das drogas necessárias para a execução de John Marion Grant e de mais seis prisioneiros que se encontravam no ‘corredor da morte’.

A moratória às execuções por injeção letal naquele estado foi decretada em setembro de 2015, quando os guardas da prisão detetaram, horas antes de uma execução, que tinham recebido uma droga letal errada e que a mesma já tinha sido usada para executar um outro condenado em janeiro desse ano.

O erro nas drogas foi detetado após uma execução mal sucedida em abril de 2014, quando o prisioneiro Clayton Lockett demorou 43 minutos até morrer na maca, após a injeção letal, e já depois de o chefe da prisão do Estado ordenar aos executantes que parassem a execução.

O prisioneiro executado na quinta-feira foi declarado inconsciente cerca de 15 minutos após a primeira das três drogas administradas e pronunciado morto seis minutos depois.

No entanto, após a administração da primeira droga, começou a ter convulsões e vómitos, ainda antes de ser levantada a cortina da câmara de execução para que as testemunhas assistissem à sua morte.

António Guimarães / com Lusa