Os presidentes da Estónia, Letónia e Lituânia condenaram esta quinta-feira tentativas da Rússia de “falsificar a história”, numa declaração comum divulgada na véspera dos 75 anos do fim da II Guerra Mundial.

Os três chefes de Estado, cujos países foram ocupados pela União Soviética e são hoje membros da União Europeia (UE) e da NATO, exigem “verdade e justiça” no reconhecimento dos crimes do comunismo e sobre a responsabilidade da URSS no desencadear da guerra.

A deturpação dos acontecimentos históricos que conduziram à Segunda Guerra Mundial e à divisão da Europa após o conflito representa um esforço lamentável de falsificar a história e colocar em questão o próprio fundamento da ordem internacional contemporânea”, advertem os dirigentes lituano, estónio e letão.

Prestando homenagem às vítimas do conflito e aos militares dos Aliados que derrotaram o regime nazi, os presidentes bálticos afirmam que a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) recorreu às Forças Armadas e à repressão para submeter os seus países durante a Guerra Fria.

O Presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda, qualificou de “revisionismo histórico” as recentes tentativas de Moscovo de desvalorizar o pacto Ribbentrop-Molotov, de 1939, para a divisão da Europa entre a Alemanha nazi e a União Soviética.

Não devemos rescrever a história […] Isso leva a conclusões erradas e a decisões erradas”, afirmou Nauseda numa entrevista à AFP.

O Presidente da Letónia, Egils Levtis, advertiu por seu turno que “a falsificação da história é uma espécie de guerra híbrida” travada pela Rússia.

A Alemanha nazi rendeu-se aos Aliados a 8 de maio de 1945.

A União Soviética, que anunciou a derrota nazi a 9 de maio, comemora esta data como o Dia da Vitória, mas para muitos habitantes dos países bálticos a data simboliza o início da ocupação pelos soviéticos.

A Rússia recusa reconhecer a integração pela força dos países bálticos na URSS como uma ocupação.

Recentemente, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e outros altos responsáveis russos acusaram a Polónia de ter contribuído para o desencadear do conflito mundial, o que foi rejeitado com indignação por Varsóvia e pelos seus aliados ocidentais.

Os países bálticos só recuperaram a independência com o desmembramento da União Soviética em 1990-1991.

“Para nós, a guerra terminou em 1993, quando o último soldado russo saiu da República da Lituânia”, disse Gitanas Nauseda.

/ RL