Uma petição a pedir à Casa Branca a libertação de um grupo pró-democracia detido na China, que inclui um estudante de Hong Kong com passaporte português, ultrapassou esta terça-feira as 100.000 assinaturas necessárias para receber resposta de Washington.

Na petição, submetida a 2 de setembro no 'site' "We The People", pede-se a libertação imediata dos 12 ativistas pró-democracia de Hong Kong, detidos pela guarda costeira da província chinesa de Guandgong, em 23 de agosto, quando se dirigiam para Taiwan, entre eles Tsz Lun Kok, com nacionalidade portuguesa e chinesa.

De acordo com a lei chinesa, a detenção pode ser prolongada durante 30 dias sem acusação, isso não é aceitável e exigimos a sua libertação imediata e regresso seguro a Hong Kong", pode ler-se no documento, que regista atualmente mais de 100.500 subscritores.

O 'site' "We The People" foi criado pela administração Obama e exige um mínimo de 100 mil assinaturas no prazo de 30 dias para se obter uma resposta oficial do governo norte-americano.

Os pedidos para a libertação do grupo têm-se multiplicado nas redes sociais, tendo sido também um dos apelos que marcaram as manifestações de domingo em Hong Kong pelo adiamento das eleições para o parlamento local e contra a nova lei da segurança nacional imposta por Pequim, durante as quais foram detidas pelo menos 289 pessoas.

Joshua Wong, um dos ativistas pró-democracia mais mediático, que em junho dizia ser um dos alvos principais da nova lei da segurança nacional, publicou várias mensagens de apoio ao grupo detido na China, uma delas a propósito do estudante com passaporte português, pedindo também ele a sua libertação, e expressando preocupação com a violação de direitos humanos e de defesa jurídica, bem como de proteção consular.

Na sexta-feira, o advogado em Hong Kong do jovem, com dupla nacionalidade portuguesa e chinesa, que se encontra detido em Shenzen, na China, disse que o estudante estava já há "12 dias em total isolamento", e que a polícia chinesa lhe recusou o acesso a um advogado contratado pela família no continente chinês, alegando que "a investigação do caso não está concluída".

Os restantes 11 detidos, o mais novo dos quais tem 16 anos, também terão visto o acesso a um advogado recusado, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).

Na segunda-feira, dois advogados confirmaram à AFP que não puderam ver os seus clientes e que outros também terão visto o acesso aos detidos negado.

Um dos advogados referiu que a polícia chinesa também se recusou a receber um pedido por escrito para que o seu cliente fosse devolvido à jurisdição de Hong Kong, levando-o a apresentar queixa junto dos procuradores em Shenzhen.

Apesar de o crime de que são suspeitos, "travessia ilegal da fronteira", ter uma pena de até um ano, a polícia terá dito a um dos advogados que alguns dos detidos podem vir a ser acusados de organização de transporte ilegal para outrem, o que pode acarretar prisão perpétua.

O grupo dirigia-se a Taiwan quando a embarcação em que seguiam foi intercetada pela guarda costeira chinesa, a 70 quilómetros de Hong Kong, onde enfrentam acusações relacionadas com a participação nos protestos pró-democracia de 2019, incluindo tentativa de fogo posto, posse de armas ofensivas e conluio com país estrangeiro.

O estudante com passaporte português tinha sido detido na antiga colónia britânica a 18 de novembro, com outras centenas de estudantes, durante o cerco da polícia à Universidade Politécnica de Hong Kong (PolyU), que se prolongou de 17 a 29 desse mês, tendo terminado com a invasão dos agentes ao campus universitário, onde a polícia diz ter encontrado milhares de bombas incendiárias e armas.

O jovem é acusado de motim, por ter participado alegadamente numa manobra para desviar as atenções da polícia que cercou as instalações do campus, com o objetivo de permitir a fuga de estudantes refugiados no seu interior.

Kok, que estudava engenharia noutra universidade, enfrenta ainda acusações de posse de instrumentos passíveis de uso ilegal, pelas quais deveria ser ouvido no tribunal de Tuen Mun, em Hong Kong, a 25 de setembro.

Aprovada em 30 de junho, a lei da segurança nacional, considerada uma resposta de Pequim ao protestos pró-democracia em Hong Kong, sob administração chinesa desde 1997, levou vários ativistas a pedirem asilo no Reino Unido e em Taiwan.

No barco onde seguia o jovem com passaporte português encontravam-se mais 11 pessoas, incluindo Andy Li, ativista pró-democracia detido no mesmo dia que Jimmy Lai, proprietário do jornal Apple Daily, numa operação da nova unidade policial criada após Pequim ter imposto a nova lei de segurança em Hong Kong.

/ SS