Os bebés têm 20 vezes mais microplásticos nas fezes do que os adultos, concluiu um estudo realizado pela Escola de Medicina da Universidade de Nova Iorque (Grossman), nos Estados Unidos.

Os microplásticos são partículas de plástico com menos de cinco milímetros, que representam uma séria ameaça ao meio ambiente e à saúde. Estão presentes em alimentos, poeira, água engarrafada e, consequentemente, nas fezes humanas e animais.

A investigação revelou que os bebés têm concentrações de microplásticos 10 a 20 vezes mais elevadas nas suas fezes do que os adultos, mais especificamente de microplásticos PET (polietileno tereftalato), utilizados na produção de fibras têxteis, garrafas de água e capas de telemóveis.

A exposição humana aos microplásticos é uma preocupação de saúde. Precisamos de reduzir a exposição em crianças. Os produtos infantis deviam ser feitos sem plástico", afirmou Kurunthachalam Kannan, o investigador principal do estudo citado pelo jornal The Guardian.

Por semana, uma pessoa pode ingerir em média até cinco gramas de microplástico.

Ainda não se sabe ao certo se estas partículas prejudicam ou não o corpo humano, embora alguns testes realizados em laboratório a animais tenham revelado inflamações e problemas no metabolismo.

Ao analisar as fezes de seis bebés, dez adultos e as primeiras fezes de três recém-nascidos, através de um método chamado espectrometria de massa, Kurunthachalam e a sua equipa analisaram a exposição humana a dois microplásticos comuns – PET e policarbonato (PC). Cada amostra tinha pelo menos um tipo de microplástico.

O nível de microplásticos PC era aproximadamente o mesmo em adultos e em bebés, mas os bebés tinham níveis 10 a 20 vezes superiores de microplásticos PET.

Ficámos surpreendidos ao encontrar níveis mais elevados em bebés do que em adultos e tentámos compreender as várias fontes de exposição em bebés. Descobrimos que o comportamento dos bebés, como gatinhar em tapetes e mastigar tecidos, bem como outros produtos, incluindo brinquedos de plástico, biberões e utensílios como colheres podem todos contribuir para tal exposição", apontou.

Redação / IC