A população de um dos mosquitos mais invasivos do mundo foi praticamente extinta em duas ilhas da província de Guangdong, na China. Uma combinação de técnicas permitiu reduzir o número do mosquito-tigre-asiático entre 83% a 94%. Este inseto é um dos maiores transmissores de dengue naquela zona e Guangdong é a região com a taxa mais alta de transmissão de dengue no país.

A técnica utilizada passou por infetar os mosquitos macho com uma bactéria e por esterilizar os mosquitos fêmea, reduzindo a capacidade reprodutora do animal. Desde então que o número de picadas diminuiu 97%. Além do dengue, esta espécie de mosquito também transmite doenças como o Zika. A investigação foi liderada por Zhidong Xi, da Universidade do Michigan, e juntou cientistas de países como a China, os Estados Unidos ou o Brasil. O estudo foi agora publicado na revista Nature.

Estamos a criar mosquitos bons, que nos podem ajudar a combater os maus”, resumiu Zhidong Xi à CNN em 2016.

Esta espécie de mosquito é uma das mais complicadas de combater, por demonstrar grande resistência aos inseticidas. Nos últimos 40 anos, espalhou-se por toda a Ásia. Já este ano, o dengue tem semeado o pânico nas Filipinas, onde já matou quase 500 pessoas, o que levou o Governo a declarar alerta nacional.

Guangzhou, uma das maiores cidades da China, reportou cerca de 37 mil pessoas infetadas com dengue desde 2014. A praga de mosquitos continua a não ter quaisquer vacinas disponíveis e é um problema que também afeta seriamente países como o Brasil, onde um recente vírus de Zika motivou uma situação emergência de saúde pública.

/ AG