Com o mundo tenta lidar com as consequências da pandemia de Covid-19, um grupo de cientistas revelou que reduzir significativamente a transmissão de novas doenças de florestas tropicais para prevenir o aparecimento de novas epidemias custaria, globalmente, entre 18 mil milhões e 25 mil milhões de euros por ano.

Algo que contrasta com os atuais gastos feitos por todos os países para combater as consequências do vírus, que pode chegar aos12 biliões de euros, quase 500 vezes mais.

A descoberta, da autoria de cientistas de várias universidades, entre elas Harvard, Duke e Princeton, foi publicada na revista Science.

Todos têm interesse em impedir que isto volte a acontecer", disse Andrew Dobson, professor de ecologia e biologia evolutiva da Universidade de Princeton e principal autor da pesquisa.

Novas epidemias, tais como a SARS, MERS e HIV, emergem de quatro e quatro anos. Para isso, investir em pesquisas, incluindo bibliotecas genéticas de vírus, aceleraria a resposta dos testes ao desenvolvimento de vacinas quando novas doenças surgirem, acrescentou.

Se está preocupado com segurança e proteção, o custo de fazer isto é menos de 2% dos gastos militares dos dez principais países militarizados do mundo”, disse Dobson.

Este tipo de plano não é novo e existem vários exemplos onde a colaboração entre a monitorização de saúde, da vida selvagem e do ambiente mostraram ter potencial de salvar vidas.

No final dos anos 1990 e no início dos anos 2000, nas profundezas das florestas da África Central, carcaças de gorilas e chimpanzés infetados pelo vírus Ébola geraram surtos entre humanos, depois de um grupo de caçadores ter consumido a carne infetada.

Programas para monitorizar a saúde da vida selvagem e das pessoas foram estabelecidos no Gabão, na República do Congo e noutros países para detetar as doenças mais cedo

Se nosso sistema de monitorização puder detetar a doença, podemos ter tempo suficiente para conseguir encontrar uma resposta. Isso é importante para a pesquisa, mas também dá às comunidades locais uma melhor proteção", afirmou à NBC News Johannes Refisch, chefe da Parceria de Sobrevivência dos Grandes Macacos das Nações Unidas.