Uma sondagem realizada pela organização não governamental Observatório Venezuelano de Violência (OVV) revelou que sete em cada dez pessoas não confia na proteção dos organismos policiais da Venezuela.

Os resultados da “Sondagem Nacional de Violência e Letalidade Policial – Venezuela 2020” foram apresentados esta quinta-feira durante um fórum virtual, no qual participaram familiares próximos das vítimas da violência policial nos estados de Zúlia e Lara.

Segundo o OVV, a sondagem foi feita a nível nacional, através de um questionário impresso, e abrangeu 1.200 lares, com a participação de um membro do núcleo familiar com mais de 18 anos de idade.

Foram incluídas pessoas de ambos sexos e de todos os estratos socioeconómicos de habitações residenciais localizadas em povoações com mais de 2.500 habitantes.

“Sete em cada dez entrevistados não confia na proteção dos organismos policiais. 39% diz que o trabalho da polícia é mau, 31% que é muito mau, 27% que é bom e 3% que é muito bom”, indicam os resultados da sondagem.

Por outro lado, “80% dos entrevistados manifestou condenar as detenções de jovens pelo seu aspeto físico, 56% está contra as detenções arbitrárias, e 81% condena as rusgas ilegais a casas, feitas sem ordens de tribunais, mesmo que para perseguir criminosos”.

Mais: “80% dos entrevistados está contra o uso da tortura como método policial e 68% das pessoas consultadas não aceita que sejam os organismos policiais a justiçar os criminosos”, sublinha-se.

Menos de 10% dos 1.200 entrevistados “considera que os organismos policiais atuam apegados à lei”.

Os dados do OVV dão conta que em quatro anos, entre 2016 e 2019, a letalidade policial na Venezuela produziu 23.623 vítimas, que correspondem a uma média de 16 pessoas mortas por dia e 113 por semana.

Quanto aos homicídios e mortes por resistência à autoridade, os números apontam para 289 em 2016, 344 em 2017, 721 em 2018 e 802 em 2019.

“Num confronto, por resistência à autoridade, um cidadão civil tem 110 vezes mais probabilidades de falecer que um funcionário policial”, explicou o OVV que regista “a morte de nove polícias por cada mil civis”.

Os dados do OVV dão conta que o Corpo de Investigações Científicas Penais e Criminalísticas (CICPC, antiga Polícia Técnica Judiciária) foi responsável por 49% das mortes por resistência à autoridade ocorridas em 2017, contra 48% em 2018 e 21% em 2019.

Por outro lado, a Guarda Nacional Bolivariana (polícia militar), foi responsável por 4% das mortes por resistência à autoridade ocorridas em 2017, por 7% em 2018 e por 10% em 2019.

Quanto à Polícia Nacional Bolivariana, foi responsável por 10% das mortes ocorridas em 2017, 18% em 2018 e 36% em 2019.

/ AM